Título: DEM acusa o governo Lula de reestatizar o setor
Autor: Brito, Agnaldo
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/08/2007, Negócios, p. B14
A comissão executiva nacional do partido Democratas acusou o governo Lula de conduzir, ¿por debaixo do pano e ao arrepio da Constituição, a reestatização do setor petroquímico¿. Em nota oficial divulgada no final da tarde de ontem pela direção partidária, o DEM exigiu a apuração do caso que envolve a compra da Suzano Petroquímica pela Petrobrás, ¿sem levar em conta os graves prejuízos que serão impostos aos contribuintes, aos acionistas da Petrobrás e ao Tesouro¿.
Segundo o DEM, o valor da operação, de R$ 2,7 bilhões, superou em 11 vezes a geração de caixa da Suzano. O partido está convencido de que, levando-se em conta o preço de compra e as dívidas da petroquímica, a Petrobrás pagou cerca de US$ 1 bilhão acima do valor da empresa, um ágio de 84%.
A nota é assinada pelo presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), e pelo vice-presidente para assuntos de meio ambiente, José Carlos Aleluia (BA). Na avaliação de ambos, o superfaturamento sugere motivação política, e não econômica, para a aquisição.
¿Existe uma estratégia deliberada do governo de levar a Petrobrás a assumir o comando do setor petroquímico, sem se preocupar com o retorno do investimento¿, concluem, ao lembrar que, no início do ano, a Petrobrás já se tornara sócia do Grupo Ipiranga.
¿Com a transação de agora, a Petrobrás passa a ter o controle da Suzano Petroquímica Operacional, da Rio Polímeros, da Petroquímica União e da Petroflex¿, destaca a nota.
O DEM cita o artigo 173 da Constituição, pelo qual uma empresa brasileira só pode ser reestatizada em caso de Segurança Nacional ou relevante interesse público.