Título: Petrobrás tenta atrair fundos e BNDES para negócio com Suzano
Autor: Brito, Agnaldo
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/08/2007, Negócios, p. B14
Segundo fontes ligadas às empresas, estatal negocia participação da Previ e da Petros na central petroquímica do Sudeste
Os fundos de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), da Petrobrás (Petros) e o braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar) estão negociando a participação na nova petroquímica que será criada pela Petrobrás, a chamada Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS). O plano é abrigar todas as unidades de produção de matéria-prima básica e de resinas plásticas numa só empresa, incluindo os ativos e participações da Suzano - que acaba de ser comprada pela Petrobrás -, da Unipar e da própria Petrobrás. A CPS teria uma receita anual de R$ 15 bilhões nos próximos anos, tamanho suficiente para disputar mercado com a Braskem.
Segundo uma fonte ouvida pelo Estado, que pediu anonimato, a participação societária dos fundos de pensão e das empresas já começou a ser definida e poderá ser diluída na Rio Polímeros (Riopol), uma das centrais petroquímicas que fará parte da Companhia Petroquímica do Sudeste. A Riopol é a única central de matérias-primas petroquímicas do País baseada em gás natural. Na Riopol, a Petrobrás e o BNDES detinham cada 16,7% do capital e a Unipar e Suzano Petroquímica controlavam 33,3% cada. Ainda não se sabe como ficará a composição acionária com a entrada dos fundos de pensão.
Assim como o BNDES, a Previ já tem uma pequena participação em negócios petroquímicos no Sudeste. O fundo, que administra um patrimônio de R$ 106 bilhões, já detinha participação de 3% no capital total da Suzano Petroquímica. Na última sexta-feira, a Petrobrás anunciou a aquisição do controle da Suzano por um valor de R$ 2,7 bilhões, além da assunção de R$ 1,4 bilhão em dívidas. O lance, considerado elevado pelo mercado, fez o Tribunal de Contas da União (TCU) abrir investigação para apurar eventual sobrepreço na oferta.
Ainda segundo a fonte, a participação de cada um dos sócios será tal que possa garantir o controle privado da companhia - se forem considerados como sócios privados os fundos de pensão e o BNDESpar, o que ainda pode render muita polêmica. Desta forma, a Petrobrás assumiria a posição de 'minoritário relevante', a mesma que possui na Braskem - maior companhia petroquímica brasileira controlada pelo grupo baiano Odebrecht.
Os fundos entram, relata a fonte, na composição do capital com dois objetivos. O primeiro é ampliar o capital privado da nova empresa, já que a Unipar não teria condições de ter uma participação elevada no negócio. O segundo motivo está na incorporação logo na criação da companhia de padrões reconhecidos de governança corporativa que seriam trazidos para a nova empresa.
Além de reunir todos os ativos da região Sudeste numa empresa só, a nova companhia será a base para o lançamento do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), um mega-projeto da Petrobrás avaliado em US$ 8,5 bilhões e que será instalado no município de Itaboraí. O pólo será o primeiro no mundo a reunir num único complexo o refino de óleo pesado, a produção de matéria-prima petroquímica e de resinas plásticas. 'A idéia é ter uma companhia com musculatura para ser um grupo tão forte como a Braskem e suficientemente grande para suportar os investimentos no Comperj', diz.
A nova petroquímica do Sudeste será portanto a base para o lançamento do Comperj. A Petrobrás ainda estuda como dividirá o investimento no complexo, mas há um plano a partir do qual a nova empresa da região teria o controle da chamada 1ª geração petroquímica (na produção de eteno e de propeno - os produtos básicos da cadeia do plástico) e uma participação entre 10% e 15% na 2ª geração (produção das resinas de polietileno e polipropileno).
A reportagem do Estado tentou falar com a direção do BNDES e dos fundos de pensão. O BNDES não se pronunciou sobre a informação de que estará no capital do novo negócio. O Petros informou, por intermédio da assessoria de comunicação, que o fundo não negocia qualquer participação na Companhia Petroquímica do Sudeste. 'O fundo não avalia nada sobre isso neste momento', informou a diretoria. O fundo, que administra um patrimônio de R$ 33,6 bilhões, detém ações da Braskem. O Petros já chegou a ter participação na companhia que lhe assegurava um assento no conselho de administração da companhia.
A Previ também negou estar discutindo participação no negócio.
NÚMEROS
R$ 15 bilhões é o valor que a nova companhia petroquímica deverá ter depois de consolidado todos os ativos e estiver operando o Comperj, mega projeto petroquímico da Petrobrás
US$ 8,5 bilhões é a estimativa de investimento para a construção do Comperj, na cidade de Itaboraí, no Rio de Janeiro
R$ 2,7 bilhões foi o preço pago aos acionistas da Suzano Petroquímica pela Petrobrás para assumir o controle do negócio e promover a reestruturação do setor na região Sudeste do País
R$ 1,4 bilhão é o tamanho do endividamento da companhia Suzano Petroquímica assumida pela Petrobrás