Título: CVM pede abertura de ação indenizatória
Autor: Brito, Agnaldo e Goy, Leonardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/08/2007, Negócios, p. B14
Comissão quer que acionistas da Suzano sejam ressarcidos por perdas
A Comissão de Valores Mobiliários vai passar um pente fino em todos negócios com ações da Suzano Petroquímica feitos na semana passada e não descarta a possibilidade de novos bloqueios de operações por suspeita de uso de informação privilegiada. Na terça-feira, a autarquia e o Ministério Público conseguiram na Justiça bloquear operações irregulares feitas por dois investidores, que juntos lucraram R$ 1,5 milhão. A autarquia suspeita de vazamento no processo de venda do controle da petroquímica para a Petrobrás.
A presidente da CVM, Maria Helena Santana, disse que ainda é cedo para saber se algum executivo das duas companhias será envolvido na investigação. Na lista encaminhada pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) à CVM com o nome dos investidores que operaram com os papéis da Suzano na semana passada, não consta nenhum executivo da linha de frente das empresas.
Segundo Maria Helena, a relação completa dos participantes da negociação de compra e venda será entregue hoje pelas empresas. Por isso, ela admite que novos nomes possam surgir nas investigações.
Além da investigação administrativa, a CVM vai solicitar ao Ministério Público a abertura de uma ação civil pública indenizatória para os acionistas da Suzano nos próximos 30 dias. 'Hoje, não há condição de ocorrer uma movimentação atípica sem que seja detectada', disse o procurador-chefe da Procuradoria Especializada da Advocacia Geral da União na CVM, Alexandre Pinheiro. Segundo ele, o investidor precisa ficar ciente de que o prazo de três dias para a liquidação de uma operação em bolsa de valores é mais do que suficiente para que a CVM recorra ao Judiciário contra operações suspeitas.
A Petrobrás informou que vai colaborar com as investigações. A estatal, porém, ainda não abriu qualquer processo interno de apuração, uma vez que a CVM não divulgou os nomes dos investidores que tiveram suas contas bloqueadas.