Título: Por unanimidade, Mesa do Senado abre terceiro processo contra Renan
Autor: Costa, Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/08/2007, Nacional, p. A4

Presidente da Casa é acusado de usar laranjas para registrar empresas de comunicação compradas com sócio

As chances de escapar de processos que podem levar à cassação do mandato diminuíram ontem para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com a decisão da Mesa Diretora da Casa de aceitar a terceira denúncia contra ele. Por unanimidade, os membros da Mesa encaminharam ao Conselho de Ética a acusação de que o senador alagoano teria comprado, em sociedade oculta com o usineiro e ex-deputado João Lyra (PTB-AL), um jornal e duas emissoras de rádio.

De acordo com o próprio Lyra, as empresas foram registradas em nome de laranjas. Na ausência do primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC), que está em seu Estado, a reunião foi presidida pelo tucano Álvaro Dias (PR), segundo vice-presidente. Foi a avaliação mais rápida das três representações já examinadas pelos parlamentares.

A primeira delas - a de que o senador teria contas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior - está em fase de conclusão. Para fechar o parecer, os relatores esperam receber, na segunda-feira, a perícia da Polícia Federal nos documentos da defesa de Renan. Segundo o presidente do conselho, o relatório deve ser votado no final deste mês ou no início de setembro.

A segunda representação trata da suspeita de que Renan teria favorecido a empresa Schincariol no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e na Receita Federal, depois de a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerante de seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), que estava prestes a fechar. Tanto a família Calheiros quanto a Schincariol negam a acusação.

O presidente do Senado tem sido pressionado pelos colegas a se afastar do cargo, mas se nega a fazê-lo, sob a alegação de que ficaria fragilizado e respaldaria os desafetos, que - acredita - só têm a intenção de prejudicá-lo. Em represália, os partido de oposição e até mesmo senadores aliados do governo estão obstruindo as votações em plenário.

Para Dias, o julgamento das denúncias deveria ocorrer o mais breve possível, impedindo que a instituição continue vivendo uma crise que, além de afetar a sua imagem, paralisa os seus trabalhos. ¿O que nós desejamos é rapidez nas investigações para encerrar logo essa novela de uma vez por todas¿, declarou o senador paranaense.

SEM AVAL

O tucano vai propor uma mudança no Código de Ética e Decoro do Senado para fazer com que as denúncias sejam encaminhadas diretamente ao Conselho de Ética, sem necessidade do aval da Mesa. Ele argumentou que tal exigência só tem prejudicado a Casa.

Dias citou, como exemplo, o fato de a representação contra Gim Argello (PTB-DF) não ter sido ainda examinada, porque Renan não convoca a reunião necessária. Amanhã, dia 17, faz um mês que foi apresentada a denúncia do PSOL.

Argello assumiu a vaga após o titular da vaga, o ex-governador Joaquim Roriz (PMDB-DF), ter renunciado para não ser cassado. O petebista está sendo investigado na Justiça comum pelo mesmo escândalo de Roriz - ambos são acusados de terem se beneficiado por meio de um esquema de desvios no Banco de Brasília (BrB).