Título: Saída de capital de emergentes pode se acelerar, diz analista
Autor: Chiara, Márcia De e Brandão Junior, Nilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/08/2007, Economia, p. B1
O chefe de pesquisa econômica para mercados emergentes do Lehman Brothers, Guillermo Mondino, acredita que três fatores estão pesando sobre os mercados emergentes no cenário atual de turbulência: potencial capitulação dos investidores dedicados aos emergentes, preocupação crescente sobre resgates e reavaliação de alguns fundamentos soberanos.
Até agora, as perdas de fundos que investem em mercados emergentes têm ficado contidas. Mas se a volatilidade continuar ou os investidores no varejo não diferenciarem os tipos de crédito, a saída de capital dessa classe de fundos pode ter aceleração, diz.
'Agora é muito difícil argumentar que os emergentes estejam se descolando dos mercados globais', diz Mondino. O analista observa que os créditos dos mercados emergentes e dos mercados regionais têm tido performance significativamente abaixo de outras classes de ativos. A redução de risco e a 'drástica' reavaliação de fundamentos estão por trás desse movimento de vendas.
Segundo Mondino, os investidores institucionais estão se preparando para uma potencial onda de resgates. Para o Lehman Brothers, uma aceleração dos resgates pode afetar tanto a performance total dos emergentes quanto os preços relativos de seus diferentes ativos.
Até agora, os resgates têm sido insignificantes, reitera o banco. A razão é que 'fundos hedge que investem em emergentes não usam muita alavancagem e mantém elevadas reservas em cash'. Não se pode dizer o mesmo daqueles que investem nos mercados de crédito, que usam alavancagem em múltiplos que vão de três a 10 vezes.
No entanto, é fator de preocupação para os fundos que investem em emergentes o fato de que a aversão ao risco os força ao ajuste de portfólio para enfrentar resgates. O outro, acrescenta o Lehman Brothers, é a possibilidade de contágio deste sentimento para outras classes de ativos.