Título: Plano da Petrobrás frustra mercado
Autor: Pamplona, Nicola e Fernandes, Nalu
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/08/2007, Economia, p. B9

Relatórios de instituições financeiras que acompanham a estatal criticam as projeções de aumento de custos

O planejamento estratégico da Petrobrás para 2008-2012 foi considerado ¿decepcionante¿ por instituições financeiras que acompanham os negócios da estatal. O termo aparece em relatórios distribuídos pelo banco americano Bear Sterns e pelas corretoras brasileiras Ágora e Ativa no dia seguinte à divulgação do plano. Em geral, o mercado financeiro critica as projeções de aumento de custos mesmo que as metas de produção tenham caído em relação ao plano anterior. O Bear Sterns chegou a reduzir em US$ 6 o preço-alvo das ações para 2008.

As cobranças foram repetidas para o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, em reunião com investidores ontem em Nova York. O executivo reafirmou que o aumento de custos afeta o setor petrolífero como um todo e deve ser compensado pelo crescimento da empresa no longo prazo. Gabrielli ponderou que o plano foi aprovado esta semana e ainda está em fase inicial de avaliação pelos investidores.

¿Mais uma vez, a Petrobrás elevou as metas de custos de refino e extração, assim como o montante dos investimentos no período. Por outro lado, as metas de produção foram reduzidas (para 2015) ou estagnadas (entre 2011 e 2012)¿, resumiu a Ágora. O texto ressalta que a meta de produção para 2015 caiu 8,85% ante o ano anterior. O Bear Sterns acrescenta que as projeções de produção internacional caíram 30%, sem mais esclarecimentos.

¿Os detalhes são mínimos, deixando muitas questões não respondidas¿, reclamaram, em relatório, os analistas do banco americano Marc McCarthy, Sergio Torres e Yana McManus, que criticaram ainda a redução da taxa de retorno sobre o capital investido, de 16% no plano anterior para 14%. ¿Acreditamos que isso reflete gastos em grandes projetos de baixa rentabilidade.¿

A analista Mônica Araújo, da corretora Ativa, lembra que o aumento de custos, que chega a 27% no refino, também influi na queda da rentabilidade. ¿A Petrobrás está em posição privilegiada em relação à carteira de projetos. Temos acesso maior a reservas do que outras empresas do setor e o crescimento da produção se dará em reservas provadas e próprias da companhia até 2012¿, disse Gabrielli. ¿Não dependemos de aquisição de reservas¿, reforçou.

O diretor de relações financeiras da estatal, Almir Barbassa, afirmou que a principal fonte de financiamento da Petrobrás deverá vir do mercado de capitais. O executivo ressaltou as facilidades de acesso ao mercado depois que a companhia se tornou investment grade. Mas Barbassa não descartou outras fontes, como o BNDES. Segundo o plano estratégico, os investimentos de US$ 122,4 bilhões até 2015 serão feitos com geração de caixa de US$ 104,4 bilhões, complementada por recursos externos.