Título: Brasil pode produzir 2 milhões de barris de petróleo por dia
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/08/2007, Economia, p. B6
Petrobrás espera atingir a meta com a chegada de mais 5 plataformas.
A Petrobrás espera atingir o pico de produção de 2 milhões de barris de petróleo por dia até o fim do ano, disse ontem o diretor de Exploração e Produção da estatal, Guilherme Estrella. O volume recorde, segundo ele, será obtido com a entrada em produção de cinco plataformas, a P-54, P-52, Piranema, Siri e Cidade de Vitória. Juntas, elas terão capacidade de produzir mais 510 mil barris por dia.
Estrella se disse otimista com a possibilidade de atingir esse volume de produção, apesar de o primeiro semestre de 2007 ter registrado alta de apenas 2% ante o ano passado e a perspectiva de média diária para este ano estar abaixo da previsão inicial.
Segundo ele, agora a previsão de média diária de produção é de 1,83 milhão de barris. 'A média diária não importa. O que importa é que a Petrobrás tem um dos maiores planos de crescimento de produção para os próximos anos, em comparação com as principais empresas do setor de petróleo', afirmou.
A Petrobrás recebeu ontem, do estaleiro Mauá Jurong, a plataforma P-54. Destinada ao campo de Roncador, na Bacia de Campos (RJ), a unidade foi entregue com 8 meses de atraso e um preço 38% superior ao previsto. O investimento foi de US$ 900 milhões, ante os US$ 650 milhões contratados com o estaleiro, que foi citado nas investigações da Operação Águas Profundas, da Polícia Federal. A unidade deve entrar em operação em outubro.
Em discurso, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, ressaltou a importância da entrada em produção de novas plataformas. 'Depois da conquista da auto-suficiência, precisaremos produzir mais e mais e, para isso, teremos que contratar plataformas, serviços, mão-de-obra', afirmou.
'Queremos rever os preços apresentados pelas empresas e vamos discutir com o governo do Estado a questão tributária. Que vamos fazer o que está planejado (P-55, P-56, P-57 e outras), é claro que vamos, porque já está decidido. Mas vamos discutir custos até o fim', disse o executivo.
BRIGA COM A ANP
O diretor-financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, informou que a estatal apresentou, na sexta-feira, recurso administrativo à Agência Nacional do Petróleo (ANP) com relação à decisão da reguladora de cobrar royalties de R$ 1,3 bilhão retroativos a 1998 sobre a produção no campo de Marlim.
Barbassa afirmou que a Petrobrás não concorda com o recálculo feito pela reguladora. 'Não é possível que o valor seja reavaliado, que a forma de cobrança mude e tenhamos que ficar pagando esses acréscimos a cada alteração', disse.