Título: Gol e TAM já substituem Varig para Buenos Aires
Autor: Carranca, Adriana e Komatsu, Alberto
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/08/2007, Economia, p. B15
Após pressão dos sindicatos, que regiram às demissões feitas pela companhia, governo argentino proibiu os 5 vôos regulares da Varig ao país.
A Gol e a TAM começaram a transportar passageiros da Varig para Buenos Aires, de acordo com a disponibilidade nos vôos. Desde quinta-feira, a Varig está proibida, pelo governo argentino, de manter os cinco vôos regulares diários que fazia para lá. As rotas partiam dos aeroportos internacionais de Guarulhos (São Paulo) e Antonio Carlos Jobim ( Rio).
Segundo a imprensa argentina, o motivos da proibição seriam irregularidades com seguros dos aviões, credenciais de pilotos e funcionários trabalhando simultaneamente para a Gol, controladora da nova Varig (VRG), e para a própria Varig. Eles acusam a empresa de vender passagens Varig, mas acomodar passageiros em vôos Gol, o que poderia provocar novas demissões. Após a crise financeira, a Varig demitiu 5 mil funcionários. Muitos ainda aguardam para receber dívidas trabalhistas. Fontes do setor dizem que o governo teria cedido à pressão dos sindicatos.
O subsecretário de Transporte Aéreo Comercial da Argentina, Ricardo Cirielli, desmentiu a informação. O episódio causou mal estar diplomático. Segundo uma fonte do governo informou ao Estado, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, telefonou para o secretário de Turismo da Argentina, Carlos Meyer, pedindo que intercedesse junto ao presidente Nestor Kirchner. Os argentinos lideram o ranking de turistas no Brasil - em 2006, quase 1 milhão visitaram o País. O ministério também teria preparado um dossiê explicando as implicações jurídicas da venda da Varig à Gol e criação da VRG.
A Varig informou que a operação para Buenos Aires era realizada por meio de uma autorização provisória, já que não recebera ainda a permissão do governo argentino, pedida em 18 de dezembro. ¿Ressaltamos que a autorização até agora não foi concedida por razões absolutamente fora do contexto do acordo bilateral Brasil-Argentina. A VRG já solicitou a intervenção de autoridades brasileiras para restabelecer suas operações no país¿, informou. A operação na Argentina estava em nome da Varig antiga, que está em recuperação judicial.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que vai vistoriar os livros de bordo da VRG para checar se há conformidade entre a tripulação e o quadro de funcionários da empresa. O Ministério das Relações Exteriores disse não ter sido comunicado oficialmente, o que deveria ser feito pela Anac.
É o Itamaraty que formaliza a operação das companhias brasileiras nos países com os quais o Brasil tem acordo bilateral de vôos. ¿Segundo o acordo bilateral, cabe a cada País designar as bandeiras e a freqüência de vôos. Cancelar vôos da Varig seria atribuição do governo brasileiro e não argentino¿, disse a presidente da Embratur, Jeanine Pires. ¿O governo argentino está defendendo seus trabalhadores. No Brasil, estamos a Deus dará¿, disse Selma Balbino, do Sindicato dos Aeroviários.