Título: Advogado das famílias vai entrar com pedido de anulação
Autor: Brancatelli, Rodrigo
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/08/2007, Metrópole, p. C6
Lazarini quer que o Conselho Nacional do MP cancele julgamento de anteontem, que manteve promotor
Bruno Tavares, Camilla Rigi e Marcelo Godoy
O advogado Pedro Lazarini, que defende a família das vítimas do promotor Thales Ferri Schoedl, luta contra o tempo. Até o fim da próxima semana ele deve entrar com um pedido, no Conselho Nacional do Ministério Público, de anulação total do julgamento realizado anteontem no Órgão Especial do Ministério Público Estadual, que efetivou o promotor na carreira. ¿Vou pedir em caráter liminar. Pois, pelos prazos padrões, a decisão poderia demorar até dez meses.¿
O pedido do advogado é baseado, principalmente, na ausência de quatro procuradores. ¿Isso prejudicou o resultado. Se houve um adiamento 15 dias antes (porque nem todos os procuradores haviam lido o processo inteiro), não teriam desculpas para todos não comparecerem desta vez. Nesse caso, o melhor seria adiar de novo¿, disse Lazarini.
Na próxima semana, as famílias devem entrar com novo pedido no Tribunal de Justiça para suspender o processo. ¿Se eles negarem de novo vou ao STJ (Superior Tribunal de Justiça)¿, afirmou Lazarini. Não há data marcada para o julgamento no TJ, pois isso depende da agenda interna, mas, para o advogado, os desembargadores estão correndo com o processo. ¿Até fiz denúncia na Corte Interamericana de Direitos Humanos de que o TJ está violando o procedimento normal. Ainda falta ouvir uma testemunha da acusação, e eles já pediram as alegações finais.¿ O TJ negou que esteja acelerando o processo.
Procuradores do Órgão Especial do MPE que votaram pela permanência de Schoedl no cargo reagiram ontem às críticas feitas pelo procurador-geral do Estado, Rodrigo Pinho. ¿Foi uma decisão técnica, processual¿, disse o procurador Renée Pereira de Carvalho, um dos 16 que optaram a favor de Schoedl .
Duas questões dividiram os procuradores. A primeira era se o Órgão Especial podia dar validade à decisão do Conselho Superior do MPE. Ali, por 5 votos a 4, o promotor havia sido excluído, mas o quórum requerido era de dois terços. Assim, embora contrária a Schoedl, a decisão não tinha validade. Esta preliminar foi rejeitada por um voto. Segundo Carvalho, em seguida, os procuradores não decidiram se o promotor agiu ou não em legítima defesa, mas se o seu comportamento antes do crime o impedia de ser confirmado no MPE. O procurador acusou Pinho de ¿jogar para a torcida¿. ¿Atender ao clamor público seria como soltar Barrabás (ladrão crucificado ao lado de Jesus e solto a pedido do povo). As eleições para procurador-geral são em março, e ele está aproveitando a oportunidade para ganhar prestígio.¿ Pinho rebateu: ¿Deixe ele dizer o que bem entender.¿
COMO FOI A VOTAÇÃO
Votaram a favor da permanência de Schoedl no cargo:
Adelina Bitelli Dias Campos
Álvaro Augusto Fonseca Arruda
Ana Margarida Machado
Junqueira Beneduce
Carlos Eduardo Fonseca da Matta
David Cury Junior
Gabriel Eduardo Scotti
Gilberto Martins Lopes
Irineu Roberto da Costa Lopes
José Eduardo Diniz Rosa
José Luiz Abrantes
José Reynaldo de Almeida
Luiz César Gama Pellegrini
Paulo do Amaral Souza
Pedro Franco de Campos
René Pereira de Carvalho
Sonia Etuko Oda
Votaram contra:
Airton Florentino de Barros
Antonio Visconti
Arnaldo Gonçalves
Claus Paione
José Ricardo Peirão Rodrigues
José Roberto Dealis Tucunduva
José Roberto Garcia Durand
Márcio Cunha Berra
Mário Antonio de Campos Tebet
Newton Silveira Simões
Paulo Álvaro Chaves Martins Fontes
Paulo Marcos Eduardo Reali Fernandes Nunes
Regina Helena da Silva Simões
Roberto João Elias
Sérgio Neves Coelho
Estavam impedidos de votar:
Antonio de Padua Bertone Pereira
Fernando José Marques
José de Arruda Silveira Filho
José Luis Alicke
Paulo Mario Spina
Rodrigo César Rebello Pinho
Tiago Cintra Zarif
Não compareceram à votação:
Agenor Nakazone
Aparecida Maria Valadares da Costa Gonçalves
Herberto Magalhães da Silveira Jr.
Mário Pedro Paes