Título: Na faculdade onde acusado estudou, caso é tema de aula e divide opiniões
Autor: Brancatelli, Rodrigo
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/08/2007, Metrópole, p. C6
A conversa de bar entrou nas salas de aula. A confirmação do cargo vitalício de promotor para Thales Schoedl deixou de ser assunto apenas nos corredores para virar tema de discussão entre professores e futuros advogados. ¿Entrou na pauta das aulas, claro, estamos todos discutindo o assunto¿, diz João Antonio Wiegerinck, professor de Direito Constitucional e Direitos Fundamentais dos cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Mackenzie - onde o próprio Schoedl se formou.
¿Alguns estudantes perguntam `como ele vai trabalhar agora?¿, enquanto outros dizem `como ele não vai trabalhar, se ainda não foi julgado?¿ É muito polêmico, ainda mais quando se trata de um promotor, que deve sempre ajudar a sociedade.¿
As discussões sobre o caso de Schoedl também são recorrentes na Escola Superior do Ministério Público de São Paulo, na Rua Minas Gerais, no Pacaembu, zona oeste. É lá que os jovens promotores aprendem os princípios básicos da carreira depois de passar no concurso público - este ano, foram 3.875 inscritos para 105 vagas. ¿É um caso inédito em muitos aspectos. O grande problema é que a carreira pode sair manchada depois desse incidente¿, disse um aluno.
Promotores veteranos consideram que, num primeiro momento, a população pode perder um pouco da confiança no Ministério Público. ¿Promotores jovens, que estão começando, podem se sentir acuados. Passamos por um momento delicado na profissão¿, disse Patrícia Moraes Aude, promotora e assessora do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional da Escola do Ministério Público.