Título: Movimento contra tributo começa com racha
Autor: Madueño, Denise e Rosa, Vera
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/08/2007, Nacional, p. A8

O lançamento da Frente Estadual de Vereadores Contra a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) ontem, em São Paulo, expôs um racha no movimento ¿Sou Contra a CPMF¿, liderado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A Força Sindical, uma das entidades a entoar o coro pelo fim da contribuição, anunciou durante o evento que vai canalizar sua atuação para a redução da alíquota do tributo e não pela sua extinção.

O presidente da central sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), explicou que a entidade tomou essa decisão por considerar mínimas as chances de extinção da CPMF no Congresso. ¿Somos a favor de uma redução da alíquota da CPMF para deixá-la apenas como instrumento fiscalizador das operações bancárias. Queria colocar essa proposta em discussão com o movimento¿, afirmou Paulinho, que deixou o local antes do fim da cerimônia.

O deputado assume nesta semana a frente de esquerda na Câmara, que defende a redução gradativa do tributo para 0,08% em três anos. Hoje a cobrança é de 0,038%.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, não quis polemizar sobre a proposição de Paulinho. ¿A nossa proposta é pela extinção da CPMF. Em relação à fiscalização, existe a lei que permite a quebra do sigilo bancário. Então, não precisamos cobrar um imposto para poder fiscalizar¿, disse o empresário.

O movimento pela extinção da CPMF foi iniciado em junho pela Fiesp e 20 entidades sindicais e empresariais, que organizaram a coleta de assinaturas para um manifesto que será entregue ao Congresso. Ontem aderiu a frente de vereadores do Estado.

A articulação é uma resposta à emenda constitucional que tramita na Câmara para a prorrogação da CPMF, que vence em 31 de dezembro deste ano. O tributo foi instituído há 11 anos para ser provisório, mas de lá para cá passou por sucessivas prorrogações. Aos cofres federais deve render, em 2008, R$ 38 bilhões.

Tendo entre os apoiadores entidades que, na semana passada, organizaram o movimento ¿Cansei¿, em protesto ao governo Lula, Skaf negou que o ¿Sou Contra a CPMF¿ seja uma ação política contra o governo federal. ¿Este movimento é de pura cidadania. É apartidário.¿

Nos discursos, entretanto, os oradores não pouparam críticas à condução dos gastos públicos pelo governo Lula.