Título: BC não vê razão para rever projeção do PIB
Autor: Ciarelli, Mônica
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/08/2007, Economia, p. B4

Para Meirelles, Brasil tem condição de avançar 4,7%.

Apesar da turbulência internacional, provocada pela crise do mercado de crédito imobiliário americano, o Brasil conseguirá crescer 4,7% este ano, segundo previsão feita em julho pelo Banco Central (BC) para 2007. A avaliação foi feita ontem pelo presidente do BC, Henrique Meirelles. Segundo ele, deverá ocorrer ¿uma certa desaceleração¿ na economia americana, mas não há motivos para rever para baixo a expectativa de crescimento do Brasil.

Meirelles disse que a economia brasileira atualmente é mais ¿resiliente¿, que a expansão do País está sendo impulsionada pela demanda interna, que a inflação está na meta e a economia, estabilizada. ¿O País tem condições, portanto, de manter uma trajetória de crescimento sustentado. É isso que faz a diferença para o Brasil¿, declarou Meirelles, que participou ontem de um seminário sobre inflação, na sede do Banco Central no Rio.

Ele reconhece que existe no mercado e entre economistas a discussão sobre a extensão da crise. ¿Até que ponto ela (a desaceleração) se tornará maior ou não está em discussão¿, afirmou. Embora considere prematuro dizer que a crise pode aumentar muito, ele reconhece que uma desaceleração no mundo atingiria a economia global.

¿Uma desaceleração no mundo muito forte, caso ocorra, certamente prejudicará o crescimento de todos os países que fazem parte importante da economia mundial. Não há duvida de que uma recessão muito forte nos Estados Unidos e uma contração da economia mundial afetariam o Brasil. Está um pouco prematuro para dizer que isso vá acontecer¿, disse, citando que não há ¿indicativos nesse nível de magnitude¿.

Para o presidente do BC, a grande lição que se pode tirar é que o Brasil conseguiu melhorar seus fundamentos econômicos em um momento ¿extremamente benigno¿. ¿O Brasil reforçou seus fundamentos não só externos, mas internos, fiscais e monetários¿, afirmou. Na avaliação de Meirelles, ¿o maior desafio¿ do País é criar condições para que possa crescer a taxas mais elevadas por um longo prazo.

IMPACTOS

Um estudo feito pelo Banco UBS para a economia mundial indica que os efeitos de um agravamento da crise nos Estados Unidos seriam ¿muito concentrados na economia americana¿ e com impacto de apenas 0,1% sobre o desempenho da economia brasileira, segundo o economista-chefe do UBS Pactual para a América Latina e ex-diretor do Banco Central, Eduardo Loyo.

Ele comentou que o estudo partiu das hipóteses de uma queda sustentada das ações nos Estados Unidos de 10%, uma baixa dos preços dos imóveis no mercado americano também de 10% e uma alta de juros na economia americana de 100 pontos-base. Para ele, a redução do ¿impulso global vai ser menos importante no Brasil em função da demanda doméstica¿.