Título: Petrobrás diz que preço da Suzano é confortável
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/08/2007, Negócios, p. B17
Empresa admite que valor é 30% superior a outras compras do setor
Responsável pela avaliação econômica da Suzano Petroquímica, o diretor de fusões e aquisições do banco ABN Amro, Flávio Valadão, admitiu ontem que o valor pago pela Petrobrás está cerca de 30% superior à média verificada em operações equivalentes nos últimos 10 anos.
O diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, afirmou, porém, que a empresa está 'absolutamente confortável' com a proposta de R$ 2,7 bilhões feita aos acionistas da empresa.
Na prática, o custo da operação para a estatal é ainda maior do que o divulgado, já que inclui a dívida de R$ 1,4 bilhão da Suzano. O valor da aquisição foi questionado por analistas do mercado financeiro em relatórios e em conferência telefônica com executivos da Petrobrás ontem. A proposta representa 9 vezes a geração de caixa da Suzano em junho de 2006, relação apontada como excessiva por alguns analistas.
Valadão reconheceu que a média das transações analisadas nos últimos dez anos é de 7,1 vezes o valor do fluxo de caixa.
'Essa operação está 29% acima da média, mas acho que é um número razoável, considerando que a empresa está em expansão e que vai gerar muitas sinergias para a Petrobrás', afirmou Valadão.
O presidente da Petroquisa, José Andrade de Lima Neto, acrescentou que a operação é o 'pontapé inicial' na consolidação da petroquímica no Sudeste brasileiro. 'A situação estava em um impasse e a Petrobrás fez a bola rolar. A operação foi necessária para vencer o impasse', apontou.
Costa afirmou que a temporada de aquisições no setor petroquímico está encerrada - seis meses após o seu início, marcado pela compra da Ipiranga pelo consórcio formado entre Petrobrás, Braskem e Ultra. 'Não vamos comprar mais ninguém', decretou. A empresa, porém, não descarta se desfazer de sua participação na Braskem, caso seja recomendação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
EMPRESA FORTE
O presidente da Petroquisa argumenta, no entanto, que a compra da Suzano é benéfica para o mercado brasileiro, uma vez que abre espaço para a criação de uma empresa com condições de competir internacionalmente.
A mesma opinião é compartilhada pelo diretor de gás e energia da Petrobrás, Ildo Sauer. 'Há a criação de grupos brasileiros com capacidade de gestão tecnológica para atuar no Brasil e no mercado internacional', reforçou, em evento ontem.
Segundo estimativas da estatal, a nova petroquímica do Sudeste, incluindo o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) terá capacidade para produzir anualmente 1,81 milhão de toneladas de polietileno e 1,725 milhão de toneladas de polipropileno.
Neste último, será líder nacional, uma vez que a Braskem tem capacidade para produzir 1,05 milhão de toneladas por ano em Camaçari (BA) e Triunfo (RS). Já no mercado de polietileno, a Braskem mantém a liderança, com 1,875 milhão de toneladas por ano.