Título: Indústria de máquinas taxa produto chinês
Autor: Puliti, Paula
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/09/2007, Economia, p. B20

Medida é a primeira ação antidumping em caráter definitivo contra a China; cada talha manual importada vai custar US$ 114,14 mais

A indústria de bens de capital conquistou o primeiro direito antidumping em caráter definitivo contra a China. Depois de um ano e meio de processo, foi adotado o direito de taxar em US$ 114,14 cada talha manual importada daquele país. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na terça-feira.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, ainda há nove pedidos junto ao ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior contra produtos chineses por parte da indústria de bens de capital.

Os fabricantes nacionais perderam 60% do mercado interno de máquinas injetoras para plástico nos últimos cinco anos para produtos chineses. Em 2002, por exemplo, a China nem aparecia na lista dos países que mais exportavam maquinário para o Brasil. Até o fim deste ano, deverá estar em terceiro lugar na lista, deslocando o Japão para a quarta posição.

O valor médio das importações brasileiras de bens de capital dos Estados Unidos e da Alemanha (os primeiros da lista) é de US$ 30 por quilo e do Japão, US$ 17 por quilo. Mas o valor médio do equipamento chinês chega ao Brasil por apenas US$ 4,35 o quilo.

De janeiro a julho, os produtos importados corresponderam a 42% do total do mercado brasileiro de máquinas e equipamentos. No mesmo período do ano passado, a mercadoria importada correspondia a 39,8% do total.

A produção de máquinas e acessórios para o setor têxtil vem registrando, desde janeiro, queda no faturamento nominal, resultado, segundo a Abimaq, da concorrência com produtos chineses. Isso tem impedido os investimentos no setor.

Por outro lado, a indústria de equipamentos para madeira teve crescimento de 77,7% no faturamento de janeiro a julho ante o mesmo período do ano passado. A indústria de madeira e mobiliário, assim como a têxtil e de calçados, está no grupo dos setores apelidados de ¿órfãos do câmbio¿. Mas o setor de madeira está reagindo de forma positiva à demanda do mercado interno.