Título: Petrobrás pode ter 25% da Braskem
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/08/2007, Economia, p. B16
Segundo executivo, participação funcionaria como blindagem contra favorecimentos ao pólo do Sudeste.
A Petrobrás poderá ficar com até 25% do capital da Braskem após a consolidação dos ativos petroquímicos do Sul do País. A informação foi dada ontem pelo vice-presidente de finanças e relações com investidores da Braskem, Carlos Fadigas. Na avaliação do executivo, a participação relevante da estatal pode funcionar como uma espécie de blindagem contra o risco de favorecimento à Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS), que está sendo constituída por Petrobrás e Unipar.
Em apresentação para investidores no Rio, Fadigas afirmou que a Braskem desistiu de recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para discutir a fusão da Unipar com a Petrobrás, como havia ameaçado nos dias seguintes ao anúncio da operação. ¿Queríamos pedir esclarecimentos sobre a fusão, mas na semana seguinte as duas empresas vieram a público esclarecer¿, disse.
Segundo o executivo, o temor da empresa referia-se a ¿mudanças na regra do jogo¿, com a Petrobrás assumindo a petroquímica do Sudeste. ¿Não queríamos uma volta aos anos 70, quando os preços e as expansões eram arbitradas pelo governo. E, com controle privado, isso não vai ocorrer¿, disse Fadigas, referindo-se ao anúncio de que a Unipar terá 60% da CPS. A Petrobrás tem hoje 6,8% da Braskem, empresa que controla os pólos do Nordeste e do Sul. Ao final do processo de consolidação iniciado com a compra da Ipiranga, em março, a fatia da estatal na companhia deve subir para algo entre 20% e 25%.
Fadigas explicou que o aumento de participação se dará com a transferência das ações da Petrobrás na Ipiranga Petroquímica (IPQ) e na Copesul para a Braskem. A idéia é acabar com as duas companhias, simplificando a teia de controle do pólo do Sul, que seria controlado diretamente pela Braskem. ¿Não faz sentido que tenhamos três empresas do mesmo setor com os mesmos sócios¿, disse Fadigas, afirmando que a consolidação de todos os ativos na Braskem garante benefícios fiscais para o grupo.
Em troca das ações da IPQ e da Copesul, a Petrobrás ganhará ações da Braskem. Desse modo, a estatal passa a ter participação relevante nas duas empresas petroquímicas que surgirão após o processo de consolidação do setor. Fadigas defende que, a exemplo do que ocorre na Braskem, a petroleira não tenha direito de veto a decisões na CPS. ¿A Petrobrás não pode decidir o destino de empresas concorrentes, seria conflito de interesses.¿
Segundo Fadigas, o processo de consolidação no pólo do Sul deve ser finalizado até janeiro. Ele não quis comentar uma possível participação da Braskem no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), alegando que o projeto ainda é embrionário.