Título: Corporação fez 408 operações desde 2003
Autor: Mendes, Vannildo
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/09/2007, Nacional, p. A6
Entre os quase 6,5 mil presos estão políticos, empresários e magistrados
Sob seu comando, a Polícia Federal mandou para a prisão quase 6,5 mil acusados, entre empresários, doleiros, servidores públicos e políticos sob suspeita de ligação com esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crime do colarinho branco. Foram 408 operações, desencadeadas desde o início de 2003 e que levaram a corporação ao papel de agenda positiva de um governo sucessivamente abalado por denúncias.
Ex-bancário nascido no Rio, flamenguista de paixão, Paulo Fernando da Costa Lacerda, de 61 anos, 33 dos quais dedicados à carreira de delegado, dirigiu a PF durante todo o primeiro governo Lula e nesses oito meses do segundo mandato. Agora, vai para a Agência Brasileira de Informação (Abin).
Lacerda já havia conquistado notoriedade, em 1992, quando desvendou o esquema PC Farias, tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor (1990-1992).
Independência e respaldo político, segundo avaliação de Lacerda, foram fundamentais para a atuação da PF nesse longo período em que a instituição suportou críticas ao modelo adotado nas missões de rua.
GRAMPOS
Muitas vezes a PF foi tachada de arbitrária e também da prática de bisbilhotice, principalmente pela chuva de grampos telefônicos com os quais fechou o cerco a seus alvos. Contra as invasões de escritórios de advogados, a OAB insurgiu-se e fez pressão. Contra as operações que alcançaram gabinetes da República, rebelaram-se aliados do presidente - que atribuíram ¿descontrole¿ à instituição federal. ¿Não queremos ser a palmatória do mundo, queremos apenas fazer a nossa parte, que está na Constituição¿, declarou o ex-diretor-geral, quando questionado sobre eventuais abusos de seus agentes.
Um ponto de apoio, que Lacerda sempre destacou: todas as ações são amparadas em ordem judicial. ¿Sem o apoio do Judiciário e sem a confiança do Ministério Público Federal não poderíamos chegar a lugar nenhum¿, disse, em setembro de 2004, ao Estado.
Cerca de mil funcionários, dos três Poderes e em todos os seus níveis, foram enquadrados pela PF na gestão Lacerda. Para ele, o combate ao crime organizado exige mais determinação e audácia porque quase sempre servidores públicos estão envolvidos. ¿Onde tem crime organizado tem algum agente público envolvido¿, costuma dizer o delegado. ¿E se você não for duro com ele, você não vai chegar a lugar nenhum. Pode ser um policial, pode ser um fiscal, uma autoridade, pode ser um político, um magistrado. O crime organizado tem uma importância muito decisiva em todos os segmentos.¿