Título: CNI teme elevação dos juros
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/09/2007, Economia, p. B2

Os Indicadores Industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI) precedem, com razoável grau de exatidão, os dados do IBGE sobre a produção industrial física. Na realidade, as indicações das duas entidades se completam: a CNI fornece dados quanto ao valor real da produção e o IBGE, o volume (com mais detalhes), mas os dados da CNI incluem informações sobre as horas trabalhadas, a folha salarial e a capacidade instalada, que o IBGE não considera.

As vendas reais da indústria, em julho, subiram 1,2% em relação ao mês anterior pelo critério dessazonalizado e 6,5% na comparação com igual mês de 2006, o que leva a crer que os dados do IBGE também mostrarão um crescimento.

Paralelamente, as horas trabalhadas apresentam aumento de 0,8% em relação a junho e de 0,3% quanto ao emprego industrial. Tais dados indicam uma melhora da produtividade, que pode ter sua origem no aumento da utilização da capacidade instalada, que passou de 82,4%, em junho, para 82,5%, em julho (ou 82,6% em termos dessazonalizados). O aumento do uso da capacidade instalada não preocupa a indústria, que considera que as variações nos últimos meses são pequenas e indicam que a indústria continua investindo.

O crescimento das vendas se concentra em alguns setores (alimentos e bebidas, máquinas e metalurgia básica) em que a demanda é maior, mas, de modo geral, pode ser atendida pela produção doméstica - ou seja, não sofre o efeito câmbio, que poderia reduzir as importações.

Cumpre notar que julho foi o 20º mês consecutivo sem resultados negativos no emprego, o que mostra que, no conjunto, o aumento das importações não resultou em redução do emprego.

A melhora da produtividade permitiu que as remunerações pagas pela indústria em julho avançassem 5,6% em relação ao mesmo mês de 2006 e 2,6% na comparação com o mês anterior (dados que não foram dessazonalizados). No acumulado do ano, as remunerações tiveram alta de 4,9%, o que contribui para elevar a demanda de bens e serviços.

A grande preocupação da CNI é uma eventual reversão da queda dos juros em razão da situação internacional.Tudo indica que, na próxima reunião, o Comitê de Política Monetária reduzirá em 0,25 ponto porcentual a taxa Selic, além de sinalizar que a fase de redução mais acentuada terminou - justamente quando é cada vez mais difícil obter recursos no exterior.