Título: Vários países permitem medida
Autor: Mendes, Vannildo
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/09/2007, Nacional, p. A13
Nos EUA pós-11 de setembro nem é preciso juiz autorizar.
O direito de fazer escutas telefônicas, que o delegado Paulo Lacerda espera seja estendido à Agencia Brasileira de Inteligência (Abin), já é adotado nos EUA e, em menor escala, em muitos outros países, principalmente da Europa. Ninguém vai tão longe, no direito de vigiar a vida alheia, quanto os americanos. Desde o 11 de Setembro de 2001, o governo dos EUA desencadeou uma ¿guerra ao terror¿ e obteve do Congresso autorização para a Agência de Segurança Nacional (NSA) grampear, sem autorização prévia de um juiz, telefones de qualquer pessoa que ela considere suspeita.
Em escala menor, e sob controle - até certo ponto - da Justiça, a escuta é autorizada na Inglaterra, Itália, Espanha e França - e, na América Latina, pela Argentina, entre outros. A União Européia não tem uma regra uniforme para os 27 países do bloco, mas o porta-voz de sua Comissão de Justiça, Friso Abbing, admite que, na prática, a maioria dos países adota a escuta como defesa contra o terrorismo. A Argentina tem desde 2001 a Lei de Inteligência Nacional, que, pelo menos no papel, faz rigorosas exigências para aprovar cada uma dessas invasões de conversas privadas.
O ¿programa de vigilância de terrorismo¿ nos EUA autoriza agentes secretos a monitorar conversas entre grupos suspeitos do exterior e pessoas dentro do país, um direito contra o qual lutam muitas entidades de direitos civis. Se o assunto não é terrorismo, porém, a lei é rigorosa e muitas vezes o pedido de grampo é negado.
Na França, a bisbilhotagem é delegada à Direção de Vigilância do Território (DST, o serviço secreto francês). Os agentes podem obter autorização para escuta pedindo ao gabinete do primeiro-ministro, que pode passar o assunto à Comissão Nacional de Interceptação Telefônica. ¿Nas investigações relativas a terrorismo e grandes temas de Estado, a comissão tende a autorizar facilmente a escuta¿, explicou ao Estado o ex-deputado Alain Marsaud, que foi relator do texto aprovado.