Título: Ainda há espaço para mais um corte de 0,25 ponto
Autor: Dantas, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/09/2007, Economia, p. B3

Analista defende que BC interrompa ciclo de cortes da Selic apenas a partir de outubro. Para ele, taxa será de 10,5% no fim de 2008.

O sócio da Tendências Consultoria Integrada Nathan Blanche acredita que o Banco Central (BC) promoverá mais um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic) até o fim do ano. Com isso, a Selic terminaria 2007 em 11% ao ano. Depois da reunião de outubro, ele aposta que o BC fará uma parada técnica para avaliar o resultado dos cortes feitos nos últimos meses. 'Política monetária não é injeção na veia. Temos de ter um tempo para ver o resultado.' Na avaliação dele, o ciclo de queda da Selic seria retomado no ano que vem, entre o primeiro e o segundo trimestre, levando a taxa para 10,5% no fim de 2008. Mas Blanche destaca que todas essas previsões levam em consideração o atual cenário econômico doméstico e externo. Se houver alguma piora no mercado internacional, ele vê até mesmo a possibilidade de o BC inverter a tendência e elevar a taxa de juros. Abaixo, trechos da entrevista que concedeu ao Estado.

O sr. acredita que há espaço para novos cortes na taxa de juros?

Considerando o cenário atual, acredito que há possibilidade de o Banco Central promover mais dois cortes de 0,25 ponto porcentual até o fim deste ano, sendo um agora e outro em outubro. Depois, deve haver uma parada técnica, de até cinco meses, para o BC avaliar qual o novo nível de atividade e preços no Brasil. Temos de esperar para ver os resultados dos cortes feitos até agora na economia. Política monetária não é injeção na veia. Temos de ter um tempo para ver o resultado. Mas a expectativa é de que a taxa de juros feche o ano que vem em 10,5% ao ano.

Os dados de inflação são preocupantes ou essa alta é pontual?

A inflação deste ano já está dada e ficará em 3,7%. A taxa de câmbio também ficará nos níveis atuais, de R$ 1,96. A preocupação é o que vai ocorrer em 2008. O orçamento aprovado pelo governo não é deflacionário, é expansionista. O aumento da renda e do crédito também é expansionista. O governo não deu sinal de que vai reduzir gastos.

O mercado internacional também é motivo de preocupação?

Sim. Se o quadro internacional piorar, não descarto a possibilidade de ter de elevar os juros. Isso porque a volatilidade pode afetar os preços no mercado doméstico. Há um movimento das commodities que pode mudar o cenário. Em agosto, em pleno nervosismo do mercado financeiro, os preços internacionais subiram 4%.