Título: IGP-DI tem maior alta em 3 anos
Autor: Saraiva, Alessandra e Assis, Francisco Carlos de
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/09/2007, Economia, p. B5
Puxado pelos alimentos, indicador sobe 1,39% em agosto; após deflação em julho, ICV do Diesse avança 0,40%.
A inflação está em alta e continua pressionada pelos alimentos. Dois de três indicadores de divulgados ontem, o Índice de Preços ao Consumidor - Disponibilidade Interna (IGP-DI) e o Índice de Custo de Vida (ICV) do Dieese apontam nessa direção, menos o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe), que teve desaceleração.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial do regime de metas de inflação, que sai hoje, também deve confirmar a tendência. O IPCA de agosto pode chegar a 0,53% este mês, segundo pesquisa da Agência Estado com 20 instituições financeiras. Se as previsões se confirmarem, a inflação será mais que o dobro da registrada em julho (0,24%).
O IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas (FGV) subiu em agosto 1,39%, ante uma elevação de 0,37% em julho. Foi o resultado mais elevado para o índice desde maio de 2004, quando o indicador havia avançado 1,46%. 'A maioria dos aumentos de preços está direta ou indiretamente relacionada ao setor agropecuário', disse o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros.
Ele destacou que 90% da formação da inflação no atacado (IPA-DI), que subiu 1,96%, resultou dos produtos agropecuários. Com isso, entre 55% e 60% da taxa do IGP-DI de agosto veio do campo.
Quadros observou que muitos produtos agropecuários estão enfrentando problemas de entressafra e de forte demanda interna e externa. Como exemplo, ele citou a continuidade da elevação de preços do leite no atacado, que subiu 13,85% em agosto, ante 8,91% em julho. No caso das commodities, o destaque foi para a soja, que subiu 8,06% em agosto, depois de ter aumentado 1,67% em julho; do trigo (de 2,87% para 9,89%) e o fim das deflações em café (de -0,61% para 6,65%) e em milho (de -0,68% para 12,29%), de julho para agosto.
No caso específico das commodities, Quadros considerou que a movimentação do câmbio tem influência secundária para a elevação de preços . Para ele, a forte demanda externa produziu a alta das cotações.
O repasse da alta dos preços agropecuários no atacado para o varejo 'vai se intensificar', alertou Quadros. Para ele, após uma alta de 1,39% no IGP-DI de agosto, vai demorar um pouco até o índice voltar a registrar taxas muito baixas.
O ICV do Dieese é outro indicador que mostra que a inflação está em alta, passando do terreno negativo para o positivo no último mês. Em julho, o ICV registrou deflação de 0,30%. Em agosto, a alta foi de 0,40%.
A alta dos alimentos, que ficaram 1,22% mais caros em agosto, foi a principal fonte de pressão, respondendo sozinha por 0,32 ponto porcentual do índice. O ICV só não foi maior no mês passado porque as despesas com transportes recuaram 0,10 ponto porcentual.
Já o IPC-Fipe foi no sentido oposto dos demais índices de inflação em agosto. No mês passado, o índice subiu apenas 0,07%, com recuo de 0,20 ponto porcentual em relação a julho.De acordo com especialistas, o resultado se deve a questões de metodologia diferente dos demais indicadores (ver reportagem ao lado).
Apesar do recuo em agosto, a Fipe elevou a projeção do IPC para este ano de 4,10% para 4,20%. Se a previsão se confirmar, o IPC deste ano será maior do que o registrado em 2006, quando atingiu 2,55%. No ano, até agosto, o IPC já subiu 2,72%. Em 12 meses, a alta é de 4,89%.
O coordenador do IPC da Fipe, Márcio Nakane, revisou as projeções porque a inflação de agosto de 0,07%, apesar de inferior à de julho (0,27%), superou a expectativa inicial, que era de deflação. Outro motivo para a revisão da estimativa anual é que os alimentos devem continuar em alta. A previsão para o IPC deste mês é de 0,48%.