Título: Carro de baixo custo pode custar caro para o consumidor
Autor: Silva, Cleide
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/09/2007, Negócios, p. B16
Novo conceito adotado na Europa e nos Estados Unidos não é sinônimo de carro popular ou barato.
Carro de baixo custo, conceito criado recentemente na Europa e nos Estados Unidos, não é necessariamente um veículo compacto ou popular. São carros produzidos com menor custo de peças e sistemas, sem prejudicar suas funcionalidades (motorização, espaço interno, porta-malas, estabilidade, segurança, conforto e estética).
'São veículos que podem pertencer a todos os segmentos tradicionais, como compactos, hatch, sedãs e monovolumes', define Corrado Capellano, sócio da consultoria Creating Value.
Todas as montadoras, segundo Capellano, estão procurando desenvolver carros de baixo custo, em todos os segmentos, através da aplicação de novos materiais como fibras naturais no lugar das espumas, policarbonato no lugar de vidros e plásticos no lugar do metal. 'A produção também usará novos conceitos como modularização, com componentes comuns entre os vários modelos.
O Logan, fabricado pela Renault na Europa e a partir deste ano no Brasil, é o primeiro modelo nascido no conceito de baixo custo, embora tenha preço, no País, de R$ 27.990.
'Dentro da sua categoria (sedã pequeno) é o de menor custo e o maior em tamanho', lembra Letícia Costa, presidente da consultoria Booz Allen Hamilton. Concorrentes como o Prisma, da General Motors e o Siena, da Fiat, custam, respectivamente, a partir de R$ 31 mil e R$ 28,7 mil.
Carros populares, conceito que no Brasil nasceu em meados dos anos 80 (baratos e básicos, com motor 1.0), agora fazem parte dos planos das montadoras também nos países desenvolvidos. Nos mercados emergentes é uma exigência. A Renault, por exemplo, estuda parceria com a indiana Bajaj para desenvolver um carro de US$ 3 mil (perto de R$ 6 mil).
É provável, na opinião de Letícia, que as montadoras brasileiras ofereçam produtos mais baratos que os atuais, mas não na faixa proposta para países como Índia e China, abaixo de R$ 10 mil.
Por enquanto, o carro mais barato à venda no Brasil é o Mille, da Fiat, oferecido por R$ 22,4 mil. O modelo foi criado há 23 anos. Segundo Letícia, apenas 16,8% dos lares brasileiros têm acesso ao carro zero quilômetro, levando-se em conta as famílias que podem financiar um automóvel sem comprometer mais do que 25% da renda mensal.