Título: Na cadeia, cela para três, TV com controle e dois banhos por dia
Autor: Netto, Andrei
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/09/2007, Economia, p. B7

Como os demais presos da Maison d'Arrêt, Cacciola usa uniforme e não pode ter contato com a família

Não é um hotel quatro estrelas com vista para o Coliseu, como o Fortyseven, de Roma, onde o ex-banqueiro Salvatore Cacciola vinha morando depois de ter fugido do Brasil, mas é ainda assim um endereço especial. Em Mônaco, Cacciola está cercado por um palácio real onde vive o príncipe Alberto II, uma igreja histórica, a Catedral de São Nicolas, e um dos mais importantes museus oceanográficos do mundo. O lamentável, para ele, é que sua vista é da Maison d'Arrêt do principado, o presídio no qual está detido desde sábado.

A prisão fica no distrito de Monaco-Ville, a 'capital' da cidade-Estado do Principado de Mônaco, onde Cacciola pretendia ingressar ao deixar a Itália. Na Maison d'Arrêt ficam os detidos à espera de julgamento e os condenados a penas inferiores a um ano. Como os demais internos, Cacciola está sem comunicação com o exterior, sem telefone ou internet, em uma das celas para três pessoas do 'quartier' masculino - a prisão, com capacidade para 90 internos, abriga também mulheres e menores infratores.

Nas celas, há um interfone para comunicação com a segurança, lavabo, três camas com colchões, travesseiros, cobertores de verão e inverno, uma mesa, quatro pontos de luz, um ventilador, um espelho, refrigerador e TV com controle remoto. Como passatempo, o presídio oferece uma capela, uma pista para caminhadas ao longo dos corredores e uma biblioteca.

A rotina de Cacciola é uma informação restrita ao presídio. Ontem, o Estado tentou conversar com o diretor da unidade, Christian Zabaldano, que não quis dar entrevista. Marcel Cuq, diretor-adjunto da instituição, não respondeu ao recado deixado. É certo, porém, que algumas exigências da disciplina interna lhe estão sendo impostas, como a obrigação de banhar-se duas vezes por dia. Além dos cuidados com o lazer, a saúde mental e a higiene dos internos, a direção da casa oferece suporte médico imediato em caso de crises de saúde. A cadeia tem enfermeira, médico sanitarista, cirurgião-dentista, psiquiatra e assistente social.

Tamanha atenção, porém, não impede o ex-banqueiro de voltar a sentir os rigores de um presídio. Na Maison d'Arrêt, Cacciola usa uniforme, porta apenas relógio e aliança e enfrenta, como os demais, a segurança de postos de controle internos e externos.

Nos próximos dias, enquanto tramitar o pedido de extradição que será oficializado pelo Ministério da Justiça brasileiro, seu contato com parentes será restrito aos parlatórios especiais. Neles, o diálogo se dá por sistema de som e o contato físico é impedido por vidros.