Título: Passos de ex-banqueiro eram acompanhados desde 2005
Autor: Netto, Andrei
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/09/2007, Economia, p. B7

Agentes federais foram a Roma para tentar reunir informações que permitissem prendê-lo fora da Itália.

A operação de busca do ex-banqueiro Salvatore Cacciola vinha sendo comandada, desde 2005, pela delegada federal Vanessa Gonçalves Leite de Souza, então chefe do Serviço de Difusões e Procurados Internacionais da Interpol do Brasil. Foi ela quem, na companhia do delegado Zulmar Pimentel, que ao mesmo tempo era diretor de polícia executivo (DPE) da Polícia Federal - segundo cargo na hierarquia da instituição - e delegado da Interpol Internacional para a América Latina, vinha tentando seguir os passos do ex-banqueiro na Itália.

Os dois, juntos, estiveram na sede da Interpol em Lion (sul da França), em busca de ajuda para localizar Cacciola fora da Itália. O ex-banqueiro, como Pimentel admitiu há algum tempo, depois da prisão de Fernandinho Beira-Mar, transformou-se em prioridade número 1 da Polícia Federal no exterior. Os delegados conseguiram ajuda de policiais de alguns países o que permitiu, por exemplo, a localização exata do foragido na Itália.

Mesmo sabendo que não contavam com a colaboração da polícia italiana - por ter nascido em Milão, a legislação local não permitia sua extradição - policiais federais da equipe da delegada foram até Roma levantar os últimos passos do ex-banqueiro. Juntavam informações para caçá-lo fora da Itália, como acabou acontecendo no sábado, em Mônaco.

Em 2006, conforme o Estado divulgou ontem, Vanessa e Pimentel apostaram que o foragido iria se render à paixão pelo futebol e apareceria na Copa do Mundo, na Alemanha. Criaram essa expectativa a partir da presença do ex-banqueiro em uma partida de tênis internacional, quando foi filmado por emissoras de televisão brasileiras.

Antes da Copa, os dois delegados estiveram no Rio de Janeiro. Conversaram com o procurador-regional da República, Arthur Gueiros, um dos responsáveis pela denúncia que deu início ao processo e resultou na condenação de Cacciola. Também reuniram-se com o desembargador federal Sérgio Feltrin, então relator da apelação criminal pelo qual a defesa do condenado tenta anular a sentença da juíza Ana Paula Viera de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal.

Na sentença, a juíza considerou que o ex-banqueiro 'foi claramente impelido à prática do crime por motivação reprovável, consistente em cobiça e ambição desmedidas, com o intento de manter-se rico às custas do dinheiro público, mesmo quando seus prejuízos advinham de erros por ele levados a cabo'.

Por isso, deu-lhe penas sempre acima do mínimo legal. Ele foi condenado a 8 anos pelo crime de peculato (apropriar-se de dinheiro público) e a 5 anos por gerir fraudulentamente instituição financeira.

BUSCAS

Os dois delegados federais foram para a Alemanha com cópias atualizadas da sentença e do mandado de prisão. Com esses documentos, lançaram o nome do banqueiro na chamada Difusão Vermelha, lista feita pela Interpol com os nomes dos foragidos mais procurados.

Voltaram frustrados, porém, sem perder a esperança. Na época, encontrado pelo Estado na Alemanha, Pimentel admitiu que mesmo não tendo localizado o ex-banqueiro na Copa, as buscas iam continuar. Por isso, pediu sigilo na informação, com medo de que Cacciola, alertado, evitasse sair da Itália.