Título: Nos EUA, exportadores brasileiros vivem bom momento
Autor: Rehder, Marcelo
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/09/2007, Economia, p. B7

Apesar da desconfiança de alguns, empresários aproveitam a desvalorização do dólar para vender mais para o Brasil

Os exportadores brasileiros de bens de capital nos Estados Unidos têm vivido um bom momento com o avanço das vendas para o Brasil. Com a valorização do real em relação ao dólar, dizem, os empresários no Brasil aproveitam para 'reabastecer os estoques', pensando no crescimento futuro dos negócios.

Paulo Rocha, fundador e presidente da HRM International Inc., trading baseada em Miami há 35 anos, disse que a demanda brasileira por bens industriais americanos como turbinas, compressores, centrífugas e componentes eletrônicos aumentou muito nos últimos anos. 'Acho que existe uma correlação direta entre a taxa de câmbio e o volume das exportações', disse Rocha ao Estado.

A trading de Rocha trabalha para grandes empresas brasileiras, entre elas o Grupo Gerdau e a Globosat. 'Compramos tudo que eles quiserem. Não faz diferença.'

Nos últimos anos, as exportações americanas para o Brasil tenderam a ser altamente fragmentadas, segundo relatório do Brazil-U.S. Business Council com sede em Washington. Ficaram concentradas em alguns bens de capital de alto valor e dezenas de partes e componentes especializados.

Nenhuma categoria isolada de exportações americanas para o Brasil rende mais de U$ 100 milhões por ano, embora algumas categorias de importações brasileiras excedam a marca de U$ 2 bilhões.

Nem sempre foi assim. Ainda em 2002, depois da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o mercado para a exportação de bens americanos para o Brasil estava estagnado, com o real brasileiro cotado em 4 por 1 dólar americano. 'As exportações de minha companhia sofreram um bocado', observou Rocha.

Mas alguns ainda têm dúvidas sobre as vantagens, a longo prazo, de entrar no mercado brasileiro.

Marcelo Gomez, dono e fundador da Brazilianshop.com, e outras empresas de varejo brasileiras instaladas na Costa Oeste americana não querem negociar com o Brasil. Gomez diz que é freqüentemente solicitado a exportar itens especiais de luxo como pistolas de paintball e brinquedos sofisticados, mas se recusa por causa de experiências passadas ruins, quando confiou na força da moeda brasileira ante o dólar.

'Eu acredito que o dólar vai se valorizar depois das eleições presidenciais (americanas de 2008)', disse Gomez. 'Além disso, cresci achando que o governo brasileiro é corrupto', acrescentou, dizendo que não ficaria surpreso se o real fosse reajustado para favorecer as exportações brasileiras.

'Não confio que isso (o real valorizado)vai ficar assim para sempre. Posso estar errado, mas assumirei esse risco.'