Título: Junta volta a prender opositores em Mianmar
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Fonte: O Estado de São Paulo, 04/10/2007, Internacional, p. A19
Após saída do enviado da ONU, soldados realizam detenção em massa no centro de Rangum
Rangum - O Exército de Mianmar, a antiga Birmânia, esperou o enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, deixar o país e voltou a prender dissidentes em Rangum. As prisões concentraram-se em residências do centro velho da cidade. Os presos, segundo testemunhas citadas por emissoras de rádio ligadas à dissidência birmanesa, foram retirados de casa durante a madrugada e colocados em oito caminhões militares.
Shari Villarosa, embaixadora dos EUA, confirmou a informação. De acordo com ela, veículos militares patrulhavam as ruas, antes do amanhecer, ameaçando a população por meio de alto-falantes.
Entre os detidos está uma funcionária da ONU de 38 anos. Um funcionário da organização disse que o nome da mulher não seria revelado para não ¿prejudicar as negociações da ONU com as autoridades militares¿. Segundo a rádio Voz Democrática da Birmânia, que opera no exílio, em Oslo, na Noruega, dez parlamentares e 137 membros da Liga Nacional pela Democracia, que se opõe à ditadura, também foram presos ontem. A junta, porém, não conseguiu impedir que alguns vídeos dos protestos chegassem à rede de TV CNN, que transmitiu ontem imagens de soldados birmaneses espancando civis.
Enquanto a União Européia anunciava ontem sanções contra Mianmar - a proibição de vistos aos militares e o fim da importação de madeira e de pedras preciosas -, Gambari voava para Nova York. Diplomatas afirmaram, no entanto, que dificilmente ele fará um pronunciamento público sobre a crise antes de conversar com o secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon.