Título: Empresas aéreas estrangeiras avançam no mercado brasileiro
Autor: Komatsu, Alberto
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/10/2007, Negócios, p. B12
Governo quer oferecer freqüências extras a empresas americanas para tentar estimular o turismo no País.
Em apenas dez anos, as companhias aéreas estrangeiras inverteram seu peso no transporte de passageiros entre o Brasil e o exterior. No ano passado, elas conquistaram a hegemonia nesse segmento, com 67% de participação. São 20 pontos porcentuais a mais em relação ao mercado que tinham em 1997, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A participação de mercado das empresas aéreas estrangeiras no fluxo de passageiros entre o Brasil e o exterior, que este ano deve estar em torno de 70%, segundo estimativas do mercado, pode subir mais. Um plano do governo brasileiro, capitaneado pelo Ministério do Turismo, quer oferecer freqüências extras para companhias americanas estimularem o turismo entre os Estados Unidos e, principalmente, a Região Nordeste. American Airlines, United e Delta já foram avisadas e mostraram interesse.
Os vôos terão de ser extras, pois o acordo bilateral de transporte aéreo entre os EUA e o Brasil estabelece cota de 105 freqüências semanais que podem ser operadas por empresas aéreas de cada país. No lado americano, o limite já foi alcançado. Pelo Brasil, são 35 vôos semanais aos EUA operados apenas pela TAM. A Varig tem planos de voltar a voar para Miami e Nova York a partir de 2008.
Levantamento da Multiplan Consultoria Aeronáutica, com dados da Anac, mostra que os embarques e desembarques de passageiros internacionais no Brasil cresceram 3,4% no ano passado em relação a 2005. Apesar desse resultado, o economista Paulo Sampaio, da Multiplan, lembra que as empresas brasileiras foram as únicas que perderam passageiros, com queda de 18,8% no transporte entre o Brasil e o exterior. As companhias brasileiras transportaram cerca de 800 mil passageiros a menos no ano passado em relação ao anterior. ¿Mas as empresas brasileiras devem recuperar espaço em 2008, especialmente no segundo semestre¿, avalia Sampaio.
As estrangeiras mais beneficiadas pela crise da aviação brasileira, que começou em 2006, foram as européias, com aumento de 23,6% nos embarques e desembarques. As companhias latino-americanas e caribenhas registraram alta de 21,1%, seguidas pela expansão de 14% das americanas e canadenses, conforme a Multiplan.
VISTO ATRAPALHA
A Delta Airlines, que usa atualmente 21 freqüências semanais entre o Brasil e os EUA, aprova o plano do governo brasileiro de aumentar os vôos entre o Brasil e os EUA. A empresa opera vôos diários a partir de São Paulo e Rio para Atlanta e entre São Paulo e Nova York.
¿A idéia (do governo brasileiro) é basicamente desenvolver o turismo fora do eixo Rio-São Paulo. Estudamos a possibilidade de passar a operar em dez novas cidades¿, diz o diretor-comercial e de assuntos governamentais da Delta Airlines, Luiz Henrique Teixeira. O executivo, porém, não revelou quais seriam os novos mercados em que a Delta pretende estrear.
¿Sempre temos interesse em expandir nossos vôos para qualquer parte do Brasil, que é chave na nossa estratégia na América Latina¿, afirma o diretor-geral da United Airlines no Brasil, Michael Guenther. O executivo, no entanto, diz que a obrigatoriedade de os americanos terem visto para entrar no País ou simplesmente passar pelo Brasil por meio de conexões é um empecilho para o desenvolvimento do plano do governo brasileiro. Segundo Guenther, o custo do visto, de US$ 120, faz com que muitas famílias americanas em férias troquem as praias do Nordeste brasileiro pelo Caribe.
A American Airlines informou apenas que também tem interesse em ampliar vôos no país. A Continental não se pronunciou sobre o assunto.