Título: Não venham oferecer migalha
Autor: Fontes, Cida
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/10/2007, Nacional, p. A5

Agripino, líder do DEM, e tucanos rejeitam idéia de liberar a CPMF para isentos de pagamento do IR

O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), rebateu ontem a idéia sugerida pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), de liberar as pessoas já isentas de pagamento do Imposto de Renda (IR) da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). ¿Isso é uma bobagem. É bombom para enganar menino¿, reagiu o tucano, que participará na próxima quarta-feira de almoço com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, juntamente com os líderes partidários, para discutir a prorrogação do tributo. ¿Não venham oferecer migalhas¿, emendou o líder do DEM, senador José Agripino (RN).

O senador José Sarney (PMDB-AP) ainda tentou oferecer um upgrade na proposta de Jucá, elevando o valor de R$ 1.780 - teto de isenção de Imposto de Renda - para R$ 2 mil. Isso, segundo ele, teria um alcance maior e não daria muitos prejuízos ao governo.

Mesmo assim, a proposta não agradou à oposição, sobretudo ao DEM, que continua firme na posição de votar contra a prorrogação do chamado imposto sobre o cheque. Por isso, a estratégia do governo é buscar compensar a falta de votos tentando fechar um acordo com os tucanos.

A oposição também criticou outra proposta do governo colocada em negociação, na qual o Planalto oferece a possibilidade, via projeto de lei, de redução da alíquota. ¿Promessa para depois não serve para nós¿, advertiu Tasso, lembrando que em 2003 o governo se comprometeu com a redução gradativa da CPMF, até atingir 0,08%.

`GESTO SIMBÓLICO¿

¿Nós não convencemos eles, nem eles nos convenceram. De concreto, houve apenas a abertura de um processo de conversa, um gesto simbólico, mas, ainda assim, incipiente¿, comentou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). Ele ressaltou que, se o Palácio do Planalto não apresentar uma proposta de redução da carga tributária, o PSDB tenderá a fechar questão contra a prorrogação da CPMF.

¿Se o governo entender que a CPMF tem de passar no Senado como passou na Câmara, eu recomendo que eles continuem descendo do pedestal. Como, aliás, começaram a fazer hoje¿, disse Virgílio após duas horas de encontro, referindo-se à ida do vice-presidente José Alencar ao Senado.

Irredutível, o presidente nacional dos DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou que os 14 senadores do partido votarão contra a prorrogação da CPMF, independentemente de qualquer acordo que o PSDB venha a fechar com o governo.