Título: FMI quer liberalização do etanol
Autor: Kuntz, Rolf
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/10/2007, Economia, p. B7

Com essa medida, produção do combustível seria amplamente dominada pelo Brasil em 2012

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende o livre comércio de biocombustíveis, com eliminação de barreiras à importação e subsídios à produção nos Estados Unidos e na União Européia. Se essa política fosse adotada agora, em 2012 a produção de etanol seria amplamente dominada pelo Brasil e por alguns países latino-americanos, enquanto o biodiesel seria produzido principalmente na Ásia.

No ano passado, os EUA superaram o Brasil na fabricação de etanol. A UE é hoje a maior fonte de biodiesel. Se o comércio for liberado e os subsídios eliminados, a produção de biocombustíveis por americanos e europeus deixará de ser lucrativa, segundo estudo incluído no Panorama Econômico Mundial distribuído ontem pelo FMI.

Estados Unidos e UE concedem os mais generosos incentivos à atividade, segundo o estudo. Os produtores americanos podem abater do imposto de renda US$ 0,51 por galão de etanol e US$ 1 por galão de diesel. São protegidos por uma tarifa de US$ 0,54 sobre galão de etanol importado.

Na UE, vários países concedem isenção de impostos para biocombustíveis, ¿um grande beneficio, considerando-se a alta tributação dos outros combustíveis¿, segundo o relatório. Além disso, há uma tarifa média de US$ 0,19 por litro de etanol importado.

Só o etanol brasileiro, extraído da cana, tem custo de produção menor que o da gasolina e do etanol de milho. Seu efeito ambiental também é superior, pois a emissão de gases causadores do efeito estufa é 91% menor que a da gasolina, por quilômetro rodado.

Se a produção e o comércio fossem liberalizados, em 2012 o preço da cana seria 15% maior que o de hoje, por causa da maior demanda. O do óleo de palma teria subido cerca de 20%. No mesmo período, os preços de milho, trigo e óleo de soja, hoje pressionados por causa do uso de grãos para produzir etanol, cairiam cerca de 10%, segundo a estimativa do FMI.

Além da liberalização do comércio e da produção, o FMI recomenda: 1) cobrança de um imposto ambiental sobre todos os combustíveis; 2) obrigação de mistura de etanol e biodiesel nos combustíveis tradicionais, por um período limitado, para facilitar a transição para a nova tecnologia; 3) apoio estatal à pesquisa, tendo em conta o caráter público dos benefícios dos biocombustíveis.

Etanol e biodiesel são tratados, no estudo, como suplementos adicionados em ¿pequenas porções¿ a combustíveis derivados de petróleo.