Título: Emprego industrial cresce 2,2%
Autor: Farid, Jaqueline
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/10/2007, Economia, p. B8
Alta de agosto foi a maior em relação ao mesmo mês do ano anterior desde abril de 2005, segundo o IBGE
O emprego industrial voltou a crescer em agosto, refletindo o bom desempenho da atividade produtiva. Houve aumento de 0,2% ante julho e de 2,2% na comparação com agosto de 2006, o maior aumento em comparação a igual mês de ano anterior apurado pelo IBGE desde abril de 2005. No ano, a ocupação do setor já acumula alta de 1,6% e em 12 meses, de 1,2%. São Paulo apresentou o maior impacto positivo para os resultados nacionais.
André Macedo, economista da coordenação de indústria do instituto, disse que o ritmo mais intenso da atividade produtiva está se refletindo no emprego industrial. Ele avaliou que os resultados de agosto mostraram que as empresas estão contratando mais por causa do bom desempenho na produção.
Prova disso, segundo Macedo, é que os segmentos com maior impacto no aumento do emprego em agosto, como meios de transporte, máquinas e equipamentos e alimentos e bebidas, são também os que vêm mostrando melhores efeitos sobre a atividade. ¿Há um predomínio de resultados setoriais e regionais positivos no emprego¿, disse.
A má notícia da pesquisa foi que os segmentos industriais mais empregadores continuaram mostrando queda no número de trabalhadores ocupados, ainda que o ritmo dos recuos esteja menos intenso. Em agosto, diante de igual mês do ano passado, houve queda no emprego das indústrias de calçados e artigos de couro (-9,6%), madeira (-7,7%) e vestuário (-2,6%).
Apesar do desempenho ruim desses setores, a folha de pagamento industrial também prosseguiu em expansão em agosto (0,3% em comparação a julho e 4,7% ante agosto de 2006). Isso, segundo Macedo, refletiu a entrada de mais trabalhadores no mercado e a inflação controlada. Além disso, houve ganhos de salários, de acordo com o economista, em segmentos que são melhores pagadores que empregadores, como nas indústrias de produtos químicos e na extrativa.
Em documento de análise sobre a pesquisa do IBGE, técnicos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) lamentaram que o crescimento do emprego industrial ainda esteja bem abaixo da variação da produção, que cresceu 5,3% no acumulado do ano até agosto.
Eles admitiram que será necessário um período maior de tempo ¿para que o crescimento dos últimos meses da produção industrial se traduza em maior emprego¿, mas lembraram que os setores mais empregadores, como os citados acima, não estão gerando empregos por causa dos problemas com o câmbio com o real valorizado.
SÃO PAULO
Em termos regionais, Macedo sublinhou que a indústria paulista representou o maior impacto de crescimento para a folha de pagamento e a ocupação da indústria em agosto. O emprego industrial cresceu 4,1% em São Paulo na comparação com igual mês do ano passado, com resultados positivos em 12 ramos industriais, sendo que o segmento de máquinas e equipamentos, com expansão de 9,9%, representou a maior pressão de alta.
Em relação à folha de pagamento, a expansão ocorrida em São Paulo foi de 2,8%, sob impacto de meios de transporte (8,3%, incluindo a indústria automobilística), produtos químicos (8,5%) e máquinas, aparelhos eletrônicos e de comunicações (6,9%).