Título: Marcelândia tenta conter aumento da pecuária
Autor: Amorim, Cristina
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/10/2007, Vida&, p. A12

Marcelândia, no norte de Mato Grosso, trabalha atualmente para implantar a Agenda 21 no município a partir de 2008. O documento nasceu na Eco-92, conferência ocorrida no Rio em 1992 que indica diretrizes para o desenvolvimento sustentável. Assim como muitas outras cidades amazônicas, nasceu e cresceu baseada no desmatamento sem planejamento e controle da floresta amazônica.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o município, com 12 mil quilômetros quadrados, desmatou pouco mais do que 3 mil km2, ou 25% de seu território. ¿Não precisamos desmatar mais do que 30%¿, afirma o prefeito, Adalberto Diamante. Mas o Inpe não computa o corte seletivo, quando o madeireiro tira apenas as árvores com alto valor comercial e deixa as demais. Essa operação não é medida pelo satélite, que ¿vê¿ apenas as clareiras grandes.

Marcelândia é terra de madeireiros, como foi o próprio prefeito, e obteve 151 mil metros cúbicos de madeira em tora só em 2005. Diamante afirma que a população apóia a implementação da Agenda 21 e que as Áreas de Proteção Permanente (APPs) que foram desmatadas serão recuperadas. A cidade é parte da Bacia do Xingu e, sem suas matas ciliares, a saúde do Rio Xingu é ameaçada.

Marcelândia é também, assim como as outras cidades do Portal da Amazônia, palco do avanço do gado. Segundo o IBGE, são 14 mil habitantes e 197 mil cabeças de gado, ou seja, 14 bois para cada pessoa. A expectativa de especialistas é que, em 2008, as pastagens cresçam na Amazônia, devido ao aumento do preço da carne.

O prefeito promete trabalhar contra a tendência. Com a Agenda 21, ele pretende implantar um zoneamento ecológico-econômico. ¿O planejamento vai influenciar para conter o desmatamento¿, afirma. O maior empecilho, diz, é o Ministério Público, que não aprova os planos de manejo.

Ele também espera diversificar a economia local, para evitar a dinâmica econômica chamada de boom-colapso. Um estudo feito pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostra que o avanço da fronteira na Amazônia tem sido marcado por degradação dos recursos naturais, violência e por um crescimento econômico rápido e não-sustentável, seguido muitas vezes de um colapso social, econômico e ambiental.