Título: Lula rejeita proposta sobre terceiro mandato
Autor: Mendes, Vannildo; Lopes, Eugenia
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/10/2007, Nacional, p. A9
Em comemoração do seu aniversário de 62 anos, presidente se recusa a discutir sucessão já e critica o abuso de servidores públicos em greve
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou ontem a proposta de terceiro mandato, levantada por aliados políticos e cada vez mais forte na militância petista. Ele disse ser favorável à alternância do poder e considerou ¿um atraso¿ discutir agora a sucessão de 2010. ¿Esse negócio de você achar que há pessoas imprescindíveis, insubstituíveis, não existe na política. Está cheio de brasileiros e brasileiras em condições de governar o País.¿
O movimento pelo terceiro mandato de Lula é liderado pelo deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), seu amigo desde as lutas sindicais do ABC paulista nos anos 70. O parlamentar quer a realização de um plebiscito sobre a questão junto com as eleições municipais de 2008.
Já o deputado Carlos Willian (PTC-MG) está consultando colegas sobre a possibilidade de coletar assinaturas para uma emenda estabelecendo o terceiro mandato. ¿Não apoio e não acho necessária uma proposta dessa¿, disse Lula.
O presidente deu essas declarações após participar de uma breve comemoração do seu aniversário de 62 anos, com populares e militantes em frente ao Palácio da Alvorada. Cerca de cem manifestantes receberam o presidente cantando ¿Lula-lá¿, jingle da primeira campanha do petista, em 1989, que virou uma espécie de hino da militância. A comemoração foi autorizada de última hora e os manifestantes foram reunidos pelo petista José Zunga, amigo de Lula e ex-presidente da CUT em Brasília.
Zunga gastou R$ 50 do próprio bolso na compra de um bolo, refrigerantes, doces e pirulitos para as crianças. Eles evitaram fazer manifestações explícitas em defesa do terceiro mandato, mas saudaram o presidente levantando três dedos, em vez do tradicional V de vitória. ¿Por mim, ele seria presidente para sempre¿, disse a militante Marília Avelino.
Diante de uma platéia composta por servidores públicos, o presidente também criticou os abusos praticados por grevistas em serviços essenciais e defendeu a regulamentação do direito de greve no setor público. Lula defendeu a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar o corte dos dias parados e restringir as regras das paralisações no funcionalismo.
¿O direito de greve é uma conquista universal dos trabalhadores, mas, quando você faz greve, não é férias e não é justo que receba pelos dias parados¿, disse. Para ele, receber salário após uma greve significa que foram férias e não uma greve.