Título: Influência dos eleitores de centro aumenta
Autor: Arruda, Roldao
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/10/2007, Nacional, p. A9

Para cientistas políticos, isso se deve à polarização entre PSDB e PT

A importância política dos eleitores situados no centro do espectro político, entre a direita e a esquerda, deve aumentar cada vez mais no País. De acordo com cientistas políticos, isso deve-se à clara tendência de fortalecimento do PSDB e do PT, com o conseqüente processo de bipolarização eleitoral.

O tema esteve no centro de debates políticos realizados na semana que passou em Caxambu (MG), onde se reuniram cientistas políticos no encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). Em um debate, Fernando Limongi e Lara Mesquita, da USP, apresentaram estudo sobre o comportamento do eleitor na capital paulista, onde estão os indicadores da polarização.

Eles demonstraram que nos últimos 15 anos o mercado eleitoral paulistano foi controlado por três partidos - PT, PSDB e PP. Mais recentemente, com a perda de poder político do ex-prefeito Paulo Maluf (PP), tucanos e petistas ampliaram seu espaço. Para Limongi e Lara isso demonstra o fechamento do mercado. ¿Estamos longe de observar a tão decantada fragilidade dos partidos brasileiros na arena eleitoral¿, escreveram no estudo.

No cenário nacional, a bipolarização tende a se acentuar na disputa presidencial. ¿Uma vez que o PMDB não tem emplacado candidatos desde Ulysses Guimarães, na eleição presidencial que se avizinha teremos mais uma vez duas candidaturas fortes, do PSDB e do PT, dentro de um processo de consolidação da democracia¿, assinalou Fabiano Santos, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio (Iuperj). ¿Vai ganhar quem conquistar o eleitor do centro.¿

Pela sua análise, o PT continuará sendo a opção do eleitor da esquerda mais moderada para o centro, enquanto o PSDB conquista votos da direita para o centro. Como nenhum dos dois tem força suficiente para levar sozinho o cargo, devem correr em direção ao centro.

Para o PT, o maior desafio será conquistar a classe média do Sul e Sudeste, que teria sido a menos beneficiada no atual governo: enquanto a concentração de investimentos no Nordeste levou algumas localidades a experimentar taxas de crescimento de 10% ao ano, a classe média do Sul e Sudeste não alcançou nem a metade daquele índice.

Os efeitos eleitorais do Bolsa-Família também foram discutidos. Mais de um analista observou que a população pobre tende a encarar o programa como um direito - e não como benefício passageiro. ¿O benefício não é constitucional, como outros programas, mas a sociedade já se apoderou dele e nenhum político, muito provavelmente, falará em extingui-lo¿, observou a socióloga Amélia Cohn, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.