Título: Oferta de energia é desafio que preocupa a Vale do Rio Doce
Autor: Junior, Nilso; Saraiva, Alessandra
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/11/2007, Economia, p. B6

Para este ano, investimentos da mineradora no setor devem chegar próximo de R$ 1 bilhão

A energia é um dos quatro desafios identificados pela Vale do Rio Doce (CVRD), junto com itens como mão-de-obra qualificada, concessões de licenças ambientais e suprimento de equipamentos e serviços de engenharia.

A mineradora vai participar da 9ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) com foco na busca por gás. Além disso, está envolvida no projeto da hidrelétrica de Estreito e usina térmica a carvão em Bacarena (PA). Para 2007, os investimentos em energia serão de US$ 570 milhões (perto de R$ 1 bilhão).

O foco da empresa é na geração de energia para o que o diretor de relações com investidores, Fábio Barbosa, chama de ¿autoconsumo¿. A empresa já demonstrou preocupação com o fornecimento no País. O presidente da Vale, Roger Agnelli, chegou a afirmar que ¿a oferta de energia elétrica é um ponto crítico¿, que estaria limitando investimentos na área de alumínio, por exemplo.

A empresa também indicou preocupação com o fornecimento de energia a partir de 2012.

¿A gente acha que a questão de energia é importante para o País e temos visto avanço para equacionar os problemas. Estamos caminhando na direção correta. Não é resposta fácil, binária ¿, disse Barbosa.

Questionado se havia risco de a Vale ampliar investimentos no exterior por causa dos problemas na oferta de energia no País, ele comentou que quatro quintos dos investimentos para 2008 serão no Brasil.

O executivo também explicou que a dependência da Vale quanto ao gás é pequena. ¿Creio que hoje, até pela indisponibilidade efetiva do gás, nossa dependência é restrita¿, afirmou, citando que a empresa ¿tinha idéia de usar mais intensamente no futuro (gás), mas hoje é pequeno (o uso)¿.

Sobre a viabilidade da construção de usinas térmicas, ele comentou que sempre existe a possibilidade de uso do carvão, principalmente em plantas junto a portos.

Segundo Barbosa, as áreas operacionais da empresa não indicaram problemas decorrentes do recente racionamento do fornecimento de gás.

Questionado sobre como encarava o anúncio, limitou-se a comentar que não tinha informação sobre isso e que era melhor ¿aguardar a Petrobrás se manifestar sobre o assunto¿.

Durante o evento, representantes da indústria nacional de equipamentos questionaram o fato de a Vale estar cotando processos de compra de material no exterior, especialmente na China, segundo fornecedores.

O gerente comercial da Dedini Indústrias de Base, Carlos Trubbianelli, disse a Barbosa que o setor estava preocupado com as vantagens comparativas dos chineses sobre a indústria nacional, que acabaria sendo preterida nas contratações.

Barbosa respondeu que, quando avalia o assunto, leva em conta o interesse do acionista, reconhecendo, contudo, que há questões de custos mais altos no País, como o tributário.

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