Título: Cisco diz que não sabia o que funcionários e distribuidor faziam
Autor: Cruz, Renato
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/11/2007, Economia, p. B14

Empresa busca restringir o caso de fraude nas importações e sonegação de impostos ao Brasil

A Cisco Systems diz que não sabia de nada. Em 16 de outubro, quatro funcionários da empresa foram presos na Operação Persona, incluindo seu presidente no País, Pedro Ripper, e o homem que trouxe a empresa para o Brasil, Carlos Carnevali. Três foram soltos e um, Carnevali, continua preso. Quarenta pessoas foram detidas para desmontar um esquema de fraudes no comércio exterior que teria causado prejuízo de R$ 1,5 bilhão em impostos sonegados durante cinco anos.

¿O sentimento foi de choque de que o governo brasileiro possa alegar que um grande montante de impostos não foi pago e algum esquema foi criado para sonegar impostos ao governo brasileiro¿, afirmou ontem Howard Charney, vice-presidente mundial da Cisco, sobre como a notícia foi recebida na subsidiária brasileira.

É a segunda vez que ele visita o País em duas semanas. Na semana passada, se reuniu com os funcionários e clientes para afirmar que a empresa age eticamente e continua operando.

A Mude, maior distribuidora da Cisco no Brasil, foi fechada. Segundo a Polícia Federal, ela funcionava como o departamento de importação da Cisco. ¿A Cisco não tem participação na Mude¿, garantiu Charney. ¿Não sabíamos como eles construíram a empresa, qual era a estrutura corporativa. Nossa meta era que eles importassem o produto certo e pagassem por ele. Os distribuidores fornecem estoque e crédito para nossos revendedores. Eles estavam fazendo um bom trabalho ao oferecer estoque e crédito para os revendedores e os produtos estavam sendo entregues no prazo correto. Se os procuradores não tivessem intervindo e dito que havia alguma coisa errada, nós não saberíamos.¿

Ontem, foi a primeira vez que algum representante da Cisco falou sobre o assunto. Antes disso, a empresa só havia divulgado comunicados. Desde o início do problema, a estratégia de comunicação da empresa tem sido conduzida a partir da sede, em San José, nos Estados Unidos. Uma Assessoria de Imprensa foi contratada especialmente para gerenciar a crise. Nenhum dos executivos brasileiros foi autorizado a falar com a imprensa.

Charney concedeu ontem nove entrevistas de meia hora para publicações diferentes, no Hotel Caesar Park Faria Lima, em São Paulo. A mensagem foi parecida com o primeiro comunicado, que dizia que a questão ¿envolvia um grupo de empresas brasileiras e pelo menos uma é revendedora Cisco¿.

O esforço é para mostrar que a Cisco ou sua subsidiária brasileira não teriam nada a ver com o que está acontecendo. Charney defendeu Ripper e os outros dois funcionários liberados pela polícia. Mas não foi tão enfático na defesa de Carnevali, ressaltando que a Cisco nunca soube que ele tivesse feito alguma coisa errada.

Ele negou que a empresa esteja envolvida num caso de doação de R$ 500 mil ao Partido dos Trabalhadores para se beneficiar numa licitação da Caixa Econômica Federal.

HABEAS-CORPUS

Ontem, o desembargador Nelton dos Santos, da segunda instância da Justiça Federal de São Paulo, negou pedidos de habeas-corpus pedidos pelos advogados dos envolvidos no caso Cisco. Continuam detidos Carlos Carnevali (Cisco), Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel (K/E), Moacyr Álvaro Sampaio, Marcelo Naoki Ikeda, Fernando Machado Grecco, José Roberto Pernomian Rodrigues e Hélio Benetti Pedreira (Mude).

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