Título: Slim investirá R$ 2 bilhões na Claro
Autor: Marques, Gerusa
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/10/2007, Economia, p. B3

Segundo empresário, dinheiro será usado principalmente para a implantação do sistema de terceira geração

O presidente do grupo Telmex, o bilionário mexicano Carlos Slim, anunciou ontem que a Claro vai investir no próximo ano R$ 2 bilhões no Brasil. A intenção é ampliar a participação da operadora - que pertence ao grupo mexicano - no mercado brasileiro de telefonia celular e na implantação da terceira geração do sistema (3G). Slim esteve reunido ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.

'A Claro está investindo muito para aumentar sua capacidade, sua presença nacional e, sobretudo, investindo na 3G', afirmou Slim, após o encontro. A Anatel está preparando para o fim do ano a licitação de 44 licenças de terceira geração, tecnologia que permite acesso à internet em alta velocidade. O leilão está previsto para 18 de dezembro.

Slim disse que conversou com o presidente Lula sobre a importância de aumentar a cobertura da banda larga no País. Ele avaliou que a ampliação do acesso à internet em alta velocidade pode crescer muito se aproveitar a base de celulares que já existe, que alcançou em setembro 112,7 milhões de aparelhos em funcionamento.

Durante o encontro, também foi abordada a elevação da venda de computadores por preços menores no País. 'Estão vendendo mais computadores que televisores. Esse é um dado impactante, o que vai facilitar a vinda da banda larga', afirmou.

O empresário mexicano, que é considerado o homem mais rico do mundo, comentou a decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), de aprovar com restrições a entrada da empresa espanhola Telefónica na Telecom Italia. Segundo ele, as decisões que vierem a ser tomadas pelas duas empresas européias sobre o mercado brasileiro de telefonia celular devem ser 'claras e do conhecimento de todos'.

As restrições impostas pela Anatel, na opinião de Slim, definem o papel de uma empresa em outra. Com as restrições, a Anatel quer garantir que as empresas dos dois grupos no Brasil - Vivo (da Telefónica) e TIM (da Telecom Italia) - tenham administrações desvinculadas e que a Telefónica não participe de decisões sobre a TIM Brasil.

'O que pedimos e o que queremos é que se defina o que vão fazer. O que não é possível é pensar que são (a Telefónica) o sócio mais importante do grupo de controle (da Telecom Italia) e que não têm nada a ver (com as decisões)', afirmou Slim.

Ele ressaltou que a Telefónica é o único integrante do consórcio, que adquiriu a fatia na empresa italiana, que é do mercado de telecomunicações. 'Os demais são sócios investidores', frisou o empresário, referindo-se aos bancos italianos que participaram do negócio.

A Claro, que pertence ao grupo Telmex, é a principal concorrente da Vivo e da TIM no mercado de telefonia brasileiro. A operadora está em terceiro lugar, com 24,82% do mercado, atrás da Vivo, 27,78%, e da TIM, com 25,87%. Slim elogiou a Anatel e disse que a agência é um dos melhores reguladores do mundo. 'Seguramente (a Anatel) tomará as decisões adequadas', afirmou.

Também participaram da reunião com Lula o presidente da Claro, João Cox, e o presidente da Embratel, Carlos Henrique Moreira. Além da Claro, a Telmex é controladora da Embratel e sócia das Organizações Globo na operadora de televisão por assinatura Net.