Título: Jornalista libertado no Chade diz que ONG mentiu
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Fonte: O Estado de São Paulo, 06/11/2007, Internacional, p. A14
O jornalista francês Marc Garmirian qualificou ontem a atuação da ONG Arca de Zoé no Chade de ¿amadora¿. Garmirian faz parte do grupo de três jornalistas franceses e quatro comissárias de bordo espanholas que foi libertado no domingo - após a intervenção direta e pessoal do presidente francês, Nicolas Sarkozy -, acusados de cumplicidade no seqüestro de 103 crianças africanas pela entidade francesa.
O jornalista entrevistou os ativistas da ONG durante a operação no Chade e filmou os integrantes da Arca de Zoé aplicando curativos falsos nas crianças - que têm entre 1 e 10 anos - para que parecessem feridas de guerra. ¿Eu percebi rapidamente que eles (ativistas) eram amadores pelo modo como conduziam as entrevistas com as crianças ou com as pessoas que traziam os menores.¿ Garmirian disse que os ativistas mentiram para as pessoas que entregaram as crianças.
¿Eles mentiram para os chadianos e, segundo eles, essa era a condição essencial para o sucesso da operação¿, afirmou. ¿Para todos, eles diziam que iriam abrir um orfanato em Abéché e em nenhum momento falaram que pretendiam levar as crianças para a Europa.¿
De acordo com a Arca de Zoé, as crianças eram órfãs do conflito em Darfur e seriam adotadas por famílias da França e da Bélgica. Mas fontes oficiais afirmam que muitas das crianças são de uma região chadiana próxima da fronteira com o Sudão.
Ainda estão detidos no Chade seis membros da ONG - acusados de seqüestro e fraude, pelos quais podem ser sentenciados a 20 anos de trabalhos forçados -, um piloto belga e três tripulantes espanhóis do avião fretado pela entidade, sob a acusação de cumplicidade no caso. Ontem, os dez acusados compareceram a um tribunal do país para que prestassem depoimento ao juiz responsável pelo caso.