Título: Leilão de linhas de transmissão tem disputa acirrada
Autor: Lima, Kelly
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/11/2007, Economia, p. B8

Estatais em parceria com empresas privadas arrematam cinco lotes; dois ficam com estrangeiros

A tradicional supremacia das empresas espanholas, comum nos leilões de linhas de transmissão de energia elétrica nos últimos três anos, deu lugar a maior competitividade na disputa de ontem, realizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no Rio.

As estatais arremataram cinco lotes, um deles em parceria com empresas privadas nacionais e estrangeiras. Os outros dois lotes do leilão ficaram com a espanhola Cymi Holding e com a CTEEP, hoje controlada pela Isa, empresa colombiana.

No total, a Aneel leiloou 1.941 quilômetros de linhas, que serão construídas em dez Estados e devem entrar em operação entre 2009 e 2010. O investimento será de R$ 1 bilhão e deve originar 9.620 empregos.

¿É natural que empresas nacionais e estatais tenham se posicionado melhor, porque estão se inserindo nesse novo processo e parecem mais dispostas a correr riscos¿, disse o diretor da Aneel, Romeu Donizete Rufino.

¿Não dá para dizer que foi o fim da era dos espanhóis no Brasil, mas sim que nenhum investidor consegue sustentar por muito tempo um perfil tão agressivo e com remuneração tão apertada¿, disse Sidnei Martini, da Companhia de Transmissão Paulista de Energia Elétrica (CTEEP), empresa privatizada em 2006, que levou o principal lote do leilão, com 720 quilômetros, no interior do Piauí.

Essa foi a primeira aquisição da CTEEP fora do Estado de São Paulo, onde já possui mais de 10 mil quilômetros de linhas de transmissão. Segundo Martini, a empresa busca novos horizontes, principalmente visando à integração com outros países da América do Sul, onde sua controladora já atua.

¿Estamos de olho no Complexo do Madeira e vamos participar do leilão no próximo ano¿, avisou, lembrando que a empresa vem com ¿apetite¿ e está disposta a seguir a estratégia espanhola de apertar os ganhos para entrar no País e diluir o lucro no longo prazo.

¿O Brasil hoje é um país muito atrativo porque, ao contrário dos países asiáticos em desenvolvimento, optou por um crescimento mais lento, que aparenta ser mais sólido¿, disse. Para este empreendimento, a CTEEP pretende investir cerca de R$ 470 milhões, quase a metade do volume total a ser aplicado nas linhas leiloadas.

O presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Dilton da Conti, criticou a política de os investidores e governo ressaltarem os elevados deságios nos leilões de linhas de transmissão, afirmando que ¿isso ocorre principalmente pela falta de condições isonômicas na obtenção de financiamento¿.