Título: Sindicato pede na Justiça a penhora dos bens da empresa
Autor: Barbosa, Mariana., Komatsu, Alberto
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/11/2007, Negócios, p. B19

O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transporte Aéreo do Município do Rio de Janeiro (Simarj) ajuizou ontem no Tribunal Regional do Trabalho do Rio uma ação civil pública para pedir a penhora dos bens da BRA. Segundo o secretário geral do Simarj, Luiz Braga, a medida foi tomada para tentar preservar recursos para o pagamento dos 1.100 trabalhadores da empresa, que já receberam aviso prévio.

Braga, também diretor-jurídico do Simarj, disse que o objetivo é arrestar as contas bancárias da BRA, os bens materiais em aeroportos como Santos Dumont e o Galeão, no Rio, além de quatro aviões que estariam estacionadas no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

¿Nossa medida foi emergencial. Recebemos uma informação extra-oficial de que os aviões eram da BRA. Qualquer medida para proteger o trabalhador é válida¿, respondeu Braga ao ser questionado se ele não temia que a ação fosse negada pelo fato de os aviões da BRA serem arrendados, e não de propriedade da empresa.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL

A BRA deve entrar com pedido de recuperação judicial para se proteger de bancos e da tentativa de arresto de aviões por parte das empresas de leasing. O objetivo, revela uma fonte ligada à direção da BRA, é ganhar tempo para tentar obter novo aporte de capital.

Segundo fontes do setor, a empresa acumula uma dívida de quase US$ 100 milhões, principalmente com bancos e empresas de leasing. A Gecas, divisão de leasing da General Electric, já entrou com uma ação de cobrança em Nova York e deve entrar com pedido de arresto de dois Boeings nos próximos dias.

A BRA acumula uma dívida de R$ 15 milhões só de fornecimento de querosene de aviação, afirma uma fonte do mercado. Desse total, cerca de R$ 1 milhão seria com a BR Distribuidora e os R$ 14 milhões restantes seriam da Shell, responsável por 80% do querosene que era utilizado pela BRA. A Shell não confirmou o valor da dívida e informou que ¿as negociações comerciais com a BRA estão equacionadas¿.