Título: Escassez de gás chega ao Senado
Autor: Goy, Leonardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/11/2007, Economia, p. B7
O ministro de Minas e Energia, o presidente e a diretora da Petrobrás deverão ser ouvidos até quarta-feira
O Congresso Nacional quer explicações do governo sobre a crise no mercado de gás natural que fez a Petrobrás anunciar, nesta semana, a redução da oferta do combustível em São Paulo e no Rio de Janeiro. No Senado, os parlamentares estão articulando uma audiência pública na Comissão de Infra-Estrutura da Casa para discutir o problema.
A intenção do autor do requerimento, senador Renato Casagrande (PSB-ES), é levar à comissão o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, e o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli. Na Câmara, a Comissão de Minas e Energia convidou a diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Foster.
No Senado, a intenção de Casagrande é realizar a audiência com Gabrielli e Hubner na próxima quarta-feira. Mas a reunião talvez tenha de ser adiada porque o presidente da Petrobrás embarca no início da próxima semana para La Paz, na Bolívia. Gabrielli e representantes do Ministério de Minas e Energia irão se reunir, na terça, com autoridades bolivianas para discutir a possibilidade de a estatal brasileira retomar os investimentos no país vizinho. Nessa reunião será também articulada a possível viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a La Paz, ainda neste mês.
Como deverá acompanhar Gabrielli na viagem à Bolívia, Maria das Graças Foster só deverá comparecer à Comissão de Minas e Energia da Câmara no dia 28, informou o autor do requerimento, o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP).
¿Esperamos que a diretora nos traga novidades sobre os planos da Petrobrás para expandir a produção de gás no Brasil e também sobre as negociações com os bolivianos¿, disse Jardim. Atualmente, o Brasil importa cerca de 30 milhões de m³ de gás natural por dia da Bolívia. Aumentar essas importações pode ser uma das saídas para resolver o problema da escassez de gás no Brasil. A Petrobrás, porém, não realiza novos investimentos na Bolívia desde maio do ano passado, quando o presidente Evo Morales anunciou a nacionalização dos recursos naturais de seu país.
Para Jardim, a crise no abastecimento de gás natural não deve ter uma solução no curto prazo. ¿Há um descompasso imenso entre a oferta e a demanda¿, disse. O deputado também cobrou mais transparência do governo caso novos cortes no fornecimento de gás venham a ser anunciados. ¿É preciso ter clareza sobre como serão feitos os cortes. Os critérios precisam estar claros¿.
Quem também cobra transparência do governo é o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). Para ele, os problemas no abastecimento de gás natural são um indício de que o país já vive uma espécie de racionamento de energia. ¿É uma crise de honestidade e de energia. O governo está, através de todos os seus órgãos, omitindo da sociedade a gravidade do que está se passando nesse setor¿, disse.
O deputado lembrou que, no início do ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revelou que algumas usinas termoelétricas não estavam conseguindo gerar energia por falta de gás. Para resolver essa situação, a Petrobrás se comprometeu com a Aneel a cumprir um cronograma de expansão do fornecimento de gás às térmicas, sob pena de multa.
O corte no suprimento de gás para as distribuidoras do Rio e de São Paulo desta semana aconteceu, justamente, para garantir o gás das usinas termoelétricas. ¿No momento em que, para ligar a térmica, você precisa tirar o gás de outro lugar, isso é um racionamento real. Está havendo desonestidade intelectual por parte do governo¿, disse Aleluia.
O governo vem argumentando que a redução no fornecimento para Rio e São Paulo atingiu apenas um volume extra de gás, que estava acima da quantidade contratada pelas distribuidoras.