Título: 'Temos máquinas, espaço, só falta gás'
Autor: Brito, Agnaldo
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/11/2007, Economia, p. B6
Produção do ano que vem ainda é incerta
O gás natural que abastece as indústrias de cerâmica do pólo industrial de Santa Gertrudes, no interior de São Paulo, é boliviano. ¿Vem direto da Bolívia pelo gasoduto para alimentar os fornos e as secadoras industriais¿, explica Adriana Marcucci, assessora da presidência da Majopar/Cedasa, fabricante de 36 milhões de metros quadrados de pisos por ano.
A empresa, estimulada pelo bom desempenho da construção civil no País, resolveu investir em uma nova linha de produção para o próximo ano. O quinto forno da indústria foi importado da Itália e deve chegar em dezembro para ocupar seu lugar no espaço de 50 mil metros quadrados reservado na planta para a ampliação. A previsão é que a Majopar aumente em 600 mil metros quadrados a produção mensal de pisos em 2008. Só falta uma coisa para pôr a expansão em prática: gás natural. ¿Temos as máquinas compradas, o espaço reservado, mas ainda não sabemos o que deve acontecer, porque falta negociar o contrato com a Comgás¿, diz a diretora-geral da empresa, Tania Marino Ebeling.
O gás é o combustível responsável pelo processo de secagem da cerâmica. Uma máquina secadora e um forno são itens fundamentais nas linhas de produção. No processo, uma prensa mistura argila com água e molda o piso de cerâmica, que então é seco para a aplicação industrial do verniz. A última etapa é levar a cerâmica para o forno, a uma temperatura de 1.200 graus, para dar resistência à peça.
A Majopar ainda não foi afetada pela falta de gás porque o contrato com a Comgás é ¿de garantia firme¿ e está sendo cumprido. ¿Ficamos sabendo da crise pela imprensa¿, afirma Tania. Apesar de não divulgar os números dos investimentos na expansão, ela é categórica ao dizer que os danos causados pela falta de gás serão grandes. ¿Não só nossa empresa, mas todo o setor de construção civil deve ser afetado.¿
A operação da quinta linha de produção da Majopar é incerta. ¿Vivemos um impasse já que seria um retrocesso voltar a usar óleo diesel ou outro tipo de gás para continuar fazendo cerâmica¿, diz. Incentivada pelo governo, a indústria adaptou a tecnologia de fabricação para o gás natural em 2000. Tania explica que o combustível, além de aumentar a qualidade do piso, diminui os custos e ainda torna o processo limpo para o meio ambiente.
¿Produzir cerâmica é como fazer bolo. É preciso ajustar a temperatura do forno para a receita não desandar e essa crise do gás desregulou tudo.¿ Por enquanto, não deve faltar cerâmica, diz ela, mas o consumidor pode ser obrigado a pagar a conta do gás natural na hora de construir.
Links Patrocinados