Título: BRA quer bancos como acionistas
Autor: Barbosa, Mariana
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/11/2007, Negocios, p. B14

Empresa negocia com bancos como ABN e Santander a conversão de uma dívida de US$ 76 milhões em ações

A companhia aérea BRA, que suspendeu as operações no dia 7 e acumula dívidas de US$ 100 milhões, negocia com bancos credores uma saída para sua crise. Dentre os principais bancos credores estão o ABN Amro e o Santander, segundo fontes do mercado financeiro.

Uma outra fonte próxima à companhia revela que o modelo financeiro que está em negociação consiste na transformação de uma dívida de US$ 76 milhões com os bancos em participação acionária. Os bancos se tornariam sócios por meio de um fundo de investimentos, com a perspectiva de vender essa participação em uma oferta pública inicial de ações.

A empresa deve ainda US$ 20 milhões para empresas de leasing, Shell, BR Distribuidora e Infraero e tenta renegociar o pagamento dessas dívidas em três ou quatro meses.

A operação de conversão de dívida em ações resultaria em um aumento do capital social da empresa, com a diluição da participação dos sócios. Se as negociações forem adiante, os irmãos Humberto e Walter Folegatti, fundadores da empresa, poderiam ficar com menos de 1% do capital total. Hoje, os Folegatti detêm 80% do capital votante e o fundo Brazil Air Partners (BAP), que reúne sete fundos de investimentos estrangeiros, os 20% restantes.

Depois de praticamente lavarem as mãos, os sócios estrangeiros do BAP hoje estão juntos com os Folegatti na busca de uma saída honrosa para a empresa. O investidor e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que por meio de um fundo da Gávea Investimentos no exterior detém menos de 3% do Brazil Air Partners, está particularmente empenhado em encontrar uma solução.

Se a negociação for bem sucedida, a BRA desistirá da possibilidade de entrar em recuperação judicial, apesar de já ter até contratado o escritório de advocacia Felsberg & Associados. A avaliação é de que a recuperação judicial é demorada e onerosa, por isso a preferência por um acordo extrajudicial com credores.

Além de escalonar as dívidas com bancos, faz parte da negociação uma injeção de US$ 35 milhões para retomar as operações de forma bastante modesta e quitar as dívidas com fornecedores. Na esperança de que as negociações avancem, na quarta-feira a BRA revogou o aviso prévio de 300 funcionários, de um total de 1.100 que tinham sido dispensados no dia 7. O grupo que teve o aviso prévio revogado é formado por 100 comissários, 50 pilotos e 150 funcionários administrativos e de aeroporto - o necessário para manter uma operação enxuta.

Pelo modelo de negócios que está sendo desenhado pelos sócios, a BRA voltaria completamente reformulada. A intenção é dar seqüência ao pedido de aviões da Embraer, dispensar os Boeings alugados que hoje fazem parte da frota e focar a operação em cidades de média densidade. Pelo cronograma da encomenda feita à Embraer, dependente de um financiamento ainda não assegurado pelo BNDES, os primeiros jatos chegariam em agosto de 2008.

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