Título: Ex-diretor da ANP diz que a lei não precisa mudar
Autor: Otta, Lu Aiko
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/11/2007, Economia, p. B1

¿A sociedade terá de dizer se quer voltar a ter um monopólio da Petrobrás, beneficiando os 70% de acionistas privados da empresa em detrimento dos acionistas das outras empresas.¿ Dessa forma, o geólogo John Forman, que até janeiro de 2006 foi diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), expressou a preocupação do setor sobre eventuais mudanças nos contratos de exploração e produção de petróleo.

¿Não creio que seja intenção do governo `chavizar¿ o setor.¿ Forman argumenta que a Lei do Petróleo, sancionada há dez anos, contempla todas as situações que possam surgir com novas descobertas, inclusive o impedimento de que o petróleo brasileiro seja extraído prioritariamente para exportação. ¿A ANP tem mecanismos legais para determinar a exportação apenas do excedente da produção, resguardando o abastecimento do mercado doméstico. Não precisa mudar nada. Já existe a ênfase ao suprimento de petróleo e gás em todo o território nacional¿, diz o consultor.

Para ele, está ocorrendo apenas uma reação do governo a uma descoberta de um grande campo. Mas ele lembra que mesmo o potencial de reservas de Tupi ainda é uma promessa. Para o geólogo, o intervalo entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris para a capacidade prevista da jazida corrobora o caráter de estimativa. ¿Uma variação de 60% entre as estimativas torna a informação ainda muito vaga.¿

Para exemplificar sua argumentação, Forman usa a imagem de um prato fundo invertido sobre uma mesa. O espaço entre o fundo do prato e a mesa é como um reservatório submerso. Esse intervalo pode estar cheio, com volume apenas parcial ou quase vazio. ¿Ainda não se sabe com certeza como está o volume desse reservatório. Os testes indicam que pode estar quase cheio e Tupi é um bloco que está sendo comentado no setor desde o primeiro semestre. Mas são indicações.¿