Título: Efeito subprime faz estragos na bolsa
Autor: Mode, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/11/2007, Economia, p. B1
Ibovespa caiu 3,52% seguindo movimentação negativa no resto do mundo com os resultados de instituições financeiras
As incertezas sobre o impacto da crise das hipotecas de alto risco (subprime) dos Estados Unidos nos resultados de instituições financeiras e no restante da economia voltaram com força ontem e derrubaram as principais bolsas de valores do mundo.
Entenda o que é subprime
O Índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Nova York, caiu 1,66% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 1,66%. No Brasil, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) deslizou 3,52%. O mercado de câmbio também teve um dia nervoso, com o dólar se valorizando 1,14% ante o real. A moeda americana fechou cotada por R$ 1,767.
Vários fatores provocaram o nervosismo. O primeiro foi um relatório do banco de investimentos Goldman Sachs, que recomendou a seus investidores que vendam as ações do Citigroup, maior instituição financeira dos EUA. Para analistas do Goldman, o Citi pode perder até US$ 15 bilhões nos próximos dois trimestres por causa da crise das hipotecas. É um valor superior ao que o próprio Citigroup havia divulgado recentemente - entre US$ 8 bilhões e US$ 11 bilhões. Os papéis do banco recuaram quase 6%.
¿O mesmo relatório estimou que as perdas totais dos bancos com essa crise podem chegar a US$ 100 bilhões¿, acrescentou o economista Alexandre Maia, da Gap Asset Management. ¿Esse número preocupou mais os investidores do que o rebaixamento do Citi.¿
Ainda no setor financeiro, a resseguradora suíça Swiss Re, a maior do mundo, anunciou perdas de pouco mais de US$ 1 bilhão em conseqüência da crise das hipotecas americanas. Resseguradora é um tipo de empresa que faz seguro para as seguradoras. As ações da companhia despencaram mais de 10% na Bolsa de Zurique.
A rede americana de varejo Lowe¿s também chamou a atenção dos investidores. Citando os problemas no mercado imobiliário, a Lowe¿s disse que as vendas no quarto trimestre fiscal crescerão menos do que o esperado anteriormente. A informação reforçou as dúvidas sobre a intensidade da desaceleração da economia dos EUA. A maioria dos analistas ainda crê que a atividade econômica no país desaquecerá suavemente, mas uma recessão não está descartada.
O analista de investimentos Daniel Gorayeb, da Corretora Spinelli, observou ainda que um relatório sobre a confiança de construtores de imóveis dos EUA mostrou números desalentadores.
¿A maioria ainda vê fraqueza no setor ao longo dos próximos seis meses¿, disse. ¿Isso significa que o mercado de imóveis, que tem um peso importante na economia americana, não responderá rapidamente aos cortes de juros promovidos pelo banco central (Fed).¿
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