Título: Senador replica tese de 'assessor aloprado'
Autor: Samarco, Christiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/11/2007, Notas e Informaçoes, p. A3
Para sensibilizar colegas, Renan adota argumento que Lula usou em 2006
Escorado na ¿jurisprudência¿ criada pelo episódio dos aloprados do PT, o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem dito a senadores que a tentativa de espionagem patrocinada por um ex-assessor contra integrantes do DEM e do PSDB foi uma operação fora de seu controle.
Renan repete, assim, argumento do presidente Lula usado no episódio do falso dossiê contra candidatos tucanos, nas eleições do ano passado. A operação foi descoberta pela Polícia Federal e Lula se referiu ao grupo de petistas envolvidos no caso como ¿aloprados¿, dizendo que haviam agido por conta própria.
Renan recorre à estratégia porque foi alertado de que o principal problema que enfrentará na votação de seu processo de cassação, em plenário, é a irritação e a desconfiança dos senadores com a suposta bisbilhotagem que teria promovido na vida de colegas. O ex-senador Francisco Escórcio, então funcionário de gabinete de Renan, teria tentado filmar os senadores goianos Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB) num hangar de táxi aéreo, em Goiânia.
A espionagem está sendo considerada até mesmo por aliados a mais grave e ousada atitude de Renan. Na avaliação de um assessor do Palácio do Planalto, a espionagem foi uma ação contra os senadores e fez ele perder apoio de seus amigos. Segundo esse assessor, enquanto Renan não mexeu com ninguém do Senado, não havia maiores conseqüências, mas ameaçar colegas foi visto como um ato que poderá atingir qualquer um.
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