Título: Renan ameaça Planalto com volta à presidência
Autor: Samarco, Christiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/11/2007, Notas e Informaçoes, p. A3

Senador pensa em reassumir na segunda-feira, o que inviabilizaria votação da prorrogação da CPMF

A oposição conseguiu anular o acordo selado na semana passada entre o Palácio do Planalto e o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e deixar o governo e a votação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) reféns do interesse do parlamentar alagoano em ser absolvido no processo que pede a cassação de seu mandato. Renan queria que o processo fosse votado hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e amanhã no plenário. Diante da recusa da oposição a apressar seu processo, ele ameaçou ontem o Planalto com a idéia de reassumir a presidência do Senado na segunda-feira, criando um clima político tenso, que não permitiria a votação da CPMF - a licença do senador termina no fim de semana.

Renan, que está se sentindo atingido pela guerra entre oposição e governo em torno da CPMF, estabeleceu que sua defesa será nesta linha: se a sua absolvição for imediata, a aprovação da contribuição também será rápida. Do contrário, o trunfo que ele tem para resistir será transferir o atraso na votação de seu processo para a CPMF.

A manobra é um recado claro ao Planalto para que mobilize sua tropa no Senado e garanta a rápida votação de seu processo, se quiser mesmo aprovar a CPMF este ano e escapar da regra da noventena - que adiaria o início da cobrança do tributo por 90 dias.

A maior esperança do senador alagoano hoje está no racha da oposição. Líderes tucanos e democratas dividem-se em torno de duas estratégias. Enquanto setores do PSDB e do DEM tentam atrelar o caso Renan à CPMF para arrastar a votação da emenda e impor um prejuízo ao governo, que perderá ao menos R$ 3 bilhões a cada mês sem a contribuição, outra parcela dos dois partidos trabalha com a certeza de que a melhor tática para derrubar a CPMF é apressar a votação. Esse segundo grupo aposta em que o governo não tem, hoje, o mínimo de 49 votos necessários para aprovar uma proposta de emenda constitucional e avalia que o melhor é não dar mais tempo ao Planalto para cooptar votos entre os dissidentes da base aliada e na oposição.

Ontem Renan se queixou a vários interlocutores do governo e do PMDB. Alegou ter feito ¿todos os gestos¿ para amenizar a crise e melhorar o ambiente político, dando tranqüilidade ao governo na votação da CPMF. Mas ponderou que, se a crise está instalada, não tem por que renovar a licença.

Informado de que o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), declarara que sua licença de 45 dias seria renovada, sem consultá-lo, Renan protestou irritado, alegando que ainda não tinha decidido nada. Preocupado, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), tentou acalmá-lo, alegando que o calendário é da oposição. ¿Não tem de ter angústia¿, defendeu Jucá.

Quanto à CPMF, a disposição da base governista é cada vez menos confiável. O ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, teria ontem um almoço com a bancada do PR. Mas, dos quatro senadores, só Magno Malta (ES) esteve no Palácio do Planalto. O almoço foi cancelado e o capixaba disse ter avisado o ministro de que ainda não está convencido a apoiar a emenda. ¿Se não for convencido, voto contra a CPMF ¿, afirmou Malta. COLABORARAM ROSA COSTA e CIDA FONTES

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