Título: Crédito engorda o lucro
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Fonte: O Estado de São Paulo, 15/11/2007, Notas e Informações, p. A3
Os balanços do Bradesco, Itaú, Santander, ABN Amro Real e Unibanco mostram que o aumento da oferta de crédito não é apenas o principal fator da ampliação dos negócios, mas também o maior fator do aumento dos lucros dos bancos. Quando as taxas de juros declinarem mais, como se espera para 2008, é provável que a relação entre o volume total de crédito da economia brasileira e o Produto Interno Bruto (PIB) se aproxime da que se observa nas economias desenvolvidas, movidas por financiamentos e pela capitalização das empresas graças às emissões de ações e outros papéis privados.
No Bradesco, as operações de crédito aumentaram 27,01% na comparação entre os primeiros nove meses de 2006 e 2007, lideradas pelas pessoas físicas (+28,55%), e o lucro líquido cresceu 73,60%, passando de R$ 3,3 bilhões para R$ 5,8 bilhões. No Itaú, o volume da carteira de crédito aumentou 26,9% entre os meses de setembro de 2006 e 2007, enquanto o lucro líquido acumulado no ano atingiu R$ 6,4 bilhões, contra R$ 4,8 bilhões no mesmo período de 2006. No Unibanco Holdings, o lucro líquido dos primeiros três trimestres chegou a R$ 2,6 bilhões, 123% acima do apurado em igual período do ano passado, e os empréstimos evoluíram 29% em relação a setembro de 2006. Na soma do Santander com o ABN Amro Real, o lucro foi de R$ 5,7 bilhões e os ativos perfizeram R$ 278 bilhões. Mas o Real destacou-se ao ampliar em 31% a carteira de crédito, na comparação entre os terceiros trimestres de 2006 e de 2007.
Nas demonstrações financeiras com dados até o 3º trimestre, constatou-se que a expansão do crédito atingiu, em média, 25%, segundo estimativas da consultoria Austin Asis. Esse porcentual é seis vezes superior ao da inflação oficial acumulada de 4,12%.
Os saldos de operações com recursos livres, que respondem por 70,2% do estoque total de crédito, aumentaram 31,5% para as pessoas físicas. Em 12 meses, até setembro, as modalidades que mais cresceram foram o crédito consignado (+36,3%) e o leasing (+70%). Nestas linhas, respectivamente, os juros são módicos e há vantagens fiscais, sendo muito baixos os índices de inadimplência, que no passado atemorizavam os bancos.
Os balanços dos bancos mostram que eles ganham tanto com a alta como com a queda dos juros. Juros reais ainda muito elevados, como ocorre no Brasil, fortalecem as receitas das operações de tesouraria, que no Itaú aumentaram 39,5% em 12 meses. E a redução que já houve nos juros explica o crescimento dos empréstimos, pois cai o valor das prestações como proporção da renda dos tomadores.
Como a diferença entre o custo de captação e de aplicação de recursos ainda é alta (o spread médio é de 24,6% ao ano e chegou a 35% nas operações com pessoas físicas, segundo o Banco Central), a queda dos juros ajudou as instituições, que operam em ritmo cada vez maior. Com o aumento da demanda por recursos, o chamado crédito direcionado também cresceu 16,39%, em 12 meses, até setembro, com destaque para a habitação (+23,29%), repasses do BNDES (+22,06%) e o rural (+19,47%). Isso é reflexo do vigor do segmento imobiliário e da demanda das empresas que buscam recursos para investimentos e para o aumento da produção agropecuária.
Para ampliar a oferta de crédito e criar condições para a aceleração da queda dos juros dos empréstimos, o Banco Central terá de reduzir, tão logo quanto possível e afastadas apreensões com a inflação, os depósitos compulsórios. O aumento da liquidez levaria os bancos a aumentar a oferta de créditos com juros menores.
Os balanços mostram que os bancos privados continuam crescendo mais do que os bancos públicos. Cresceram as operações do BNDES e o governo quer aumentar o peso do Banco do Brasil (BB), mediante a incorporação dos Bancos Besc, de Santa Catarina, Regional de Brasília (BRB) e do Piauí. Mas os ativos das cinco maiores instituições privadas cresceram 41% entre 2006 e 2007 e já superam R$ 1 trilhão, três vezes o volume de ativos do BB registrado no balanço de junho (R$ 333 bilhões).
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