Título: Promotores reforçam depoimentos para apertar cerco a Zeca do PT
Autor: Macedo, Fausto
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/11/2007, Nacional, p. A14
Para fechar o cerco ao ex-governador de Mato Grosso do Sul José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, o Ministério Público mudou de tática e decidiu intimar para depor todos aqueles que considera suspeitos em desvio de verbas de publicidade. A meta é colher os depoimentos antes de formalizar novas denúncias à Justiça, procedimento que não adotou anteriormente e abriu caminho para a defesa obter liminar em habeas-corpus. Os depoimentos tiveram início esta semana.
Em outubro, a promotoria apresentou duas acusações, pedindo abertura de ações penais contra Zeca do PT, por peculato e uso de documento falso. A 2ª Vara Criminal de Campo Grande acolheu as denúncias, mas o advogado Newley Amarilla, defensor do ex-governador, recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Newley argumentou que seu cliente estava sofrendo ¿constrangimento ilegal¿ porque sequer havia sido chamado para dar sua versão. Ele atacou o libelo contra Zeca do PT. ¿Não existe nenhum documento que possa servir de subsídio ao acolhimento das denúncias.¿
O recurso de Newley foi acatado pelo desembargador João Batista da Costa Marques. ¿Estranhamente, ao que parece, não se procurou em momento algum colher esclarecimentos junto ao paciente (Zeca)¿, destacou o desembargador do TJ, que mandou suspender prontamente uma das ações contra o ex-governador.
O Ministério Público já havia preparado outras 14 ações, 7 criminais e 7 civis por improbidade, contra Zeca do PT e iria apresentá-las à Justiça. As ações são relativas a contratos que teriam beneficiado agências de propaganda e abastecido suposto mensalão - pagamentos a aliados do ex-governador, segundo indica livro-caixa recolhido pela promotoria na residência de Salete de Luca, ex-assessora da Secretaria de Coordenação-Geral de Governo. O desvio pode ter alcançado R$ 30 milhões, segundo estimativa do Ministério Público.