Título: Embraer vende US$ 1,1 bi na feira aérea de Dubai
Autor: Barbosa, Mariana
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/11/2007, Negocios, p. B11

Mais da metade dos pedidos firmes anunciados são de jatos da aviação executiva; no total, feira movimentou mais de US$ 100 bilhões

Mariana Barbosa

A Embraer anunciou vendas de US$ 1,1 bilhão na feira de aviação de Dubai, encerrada ontem. A empresa recebeu pedidos firmes de 66 equipamentos, entre jatos comerciais e executivos. A aviação executiva foi o destaque da companhia na feira do Oriente Médio, respondendo por mais da metade das encomendas, um total de US$ 623 milhões.

Foram sete pedidos firmes do Lineage 1000, maior jato executivo produzido pela fabricante, sete pedidos do Legacy 600 e mais 37 unidades do Phenom, jato da categoria Very Light Jet, a menor do mercado. ¿O Oriente Médio continua se destacando como um importante mercado para a aviação executiva¿, afirmou o vice-presidente da Embraer para o Mercado de Aviação Executiva, Luís Carlos Affonso, em um comunicado divulgado pela companhia.

Terceira maior feira de aviação do mundo, atrás apenas das tradicionais Farnborough (Inglaterra) e Le Bourget (França), a feira de Dubai foi uma demonstração da pujança da aviação no Oriente Médio. Juntos, os fabricantes anunciaram encomendas de mais de US$ 100 bilhões, com destaque para a Airbus que, sozinha, vendeu US$ 28 bilhões, seguida pela Boeing.

Boeing e Airbus nunca venderam tanto para as companhias aéreas do Oriente Médio, como Emirates Airline, Qatar Airways e Air Arabia. Além dos petrodólares, analistas apontam a transformação do Oriente Médio em um hub de ligação entre o Ocidente a Ásia como a grande explicação para o crescimento da aviação na região.

O Oriente Médio começa a desbancar o mercado americano como maior comprador de jatos executivos. Nesse mercado, o príncipe saudita Alwaleed bin Talal roubou a cena ao adquirir um A380 - o jato gigante da Airbus, com capacidade para mais de 500 passageiros - para uso particular. O príncipe, que vai desembolsar cerca de US$ 300 milhões pelo jato, deverá gastar pelo menos outros US$ 200 milhões para transformá-lo em um palácio aéreo.

DEMANDA MUNDIAL

Em dez anos, a aviação executiva deverá movimentar quase o mesmo que a aviação regional conseguirá em 20 anos, diz estudo com projeção de mercado divulgado ontem pela Embraer. A fabricante prevê uma demanda mundial de 7.540 jatos de 30 a 120 lugares pelos próximos 20 anos, no valor de US$ 220 bilhões - e de 13.150 jatos, no valor de US$ 201 bilhões, até 2017.

A carteira de pedidos firmes da Embraer para esse setor está próxima a US$ 4 bilhões, crescimento significativo se comparada com a carteira de 2006 (US$ 2 bilhões) e de 2005 (US$ 600 milhões).

Na aviação regional, o estudo mostra uma tendência por aeronaves maiores. A maior demanda será na faixa de 90 a 120 lugares, enquanto a frota mundial de aviões de 30 a 60 lugares deverá encolher.

De acordo com o estudo, a companhia estima que o mercado de transporte aéreo mundial crescerá 4,9% ao ano em média até 2027. A China vai liderar essa demanda, com uma taxa de crescimento de 7% ao ano, seguida do Oriente Médio, com 6,5%. Na América Latina, o crescimento é estimado em pouco mais de 5%.