Título: Especialistas divergem sobre efeitos da medida
Autor: Barbosa, Alaor
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/12/2007, Economia, p. B12
A mudança de cálculo proposta pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) pode livrar o governo de sofrer um novo desgaste como o que foi causado pela decisão da Petrobrás de cortar, no fim de outubro, parte dos volumes adicionais de gás natural que fornece para as distribuidoras do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, se for aprovada a nova proposta do ONS de reduzir para 36% o patamar mínimo exigido para a capacidade dos reservatórios das hidrelétricas no início de janeiro, ¿é muito pouco provável¿ que as usinas termoelétricas tenham de ser acionadas no início do ano que vem. Sem o acionamento das térmicas, não deverá haver problemas no fornecimento de gás.
Questionado sobre os motivos que levaram o ONS a alterar o cálculo, Kelman respondeu que ¿é compreensível que haja uma certa hesitação em se ligar as termelétricas em janeiro, porque ainda está longe de terminar o período do chuvas no Sudeste e no Centro Oeste¿.
A nova proposta do ONS foi recebida de modos diferentes por especialistas do setor elétrico. O professor Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobrás e diretor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ, disse que o ONS está devendo uma explicação aos técnicos do setor sobre as mudanças. ¿O ONS está em dívida para com os técnicos. Precisa explicar por que subiu tanto o índice (para 61%) e porque desceu (para 36%) logo em seguida¿, disse Pinguelli.
Já o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (Cbie), afirmou que o ONS teve ¿bom senso¿. ¿Acho que foi uma boa decisão, porque dessa maneira evita-se um novo corte no fornecimento de gás¿, comentou.