Título: Governo deve reduzir meta para nível dos reservatórios
Autor: Barbosa, Alaor
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/12/2007, Economia, p. B12
Armazenamento nas hidrelétricas vai a 48,5% e risco de falta de energia cai
O governo deve reduzir a proposta de meta para o nível de água nos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste de 61% para 36% da capacidade de armazenamento. A nova versão foi encaminhada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que deverá oficializar a decisão na semana que vem, conforme expectativas do diretor-geral do ONS, Hermes Chipp.
Como as hidrelétricas da região já estão com o nível de 48,5% de armazenamento, é praticamente certo que o ONS não precisará acionar as usinas térmicas nos próximos meses, o que afasta o risco de racionamento de gás natural para o setor industrial ou os automóveis (GNV), como ocorreu em outubro, quando parte do gás foi para as térmicas, reduzindo a oferta para os outros setores.
Em paralelo às medidas para evitar o acionamento das térmicas, o governo está adotando vários procedimentos para aumentar a segurança no suprimento de eletricidade. O ONS, por exemplo, passará a ter metas mensais para o nível de água nos reservatórios, conforme avaliações periódicas do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão do governo liderado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).
Chipp garantiu que isso não significa inversão nas atribuições do operador, que tradicionalmente visava à busca dos menores custos para o sistema elétrico e agora passa a dar ênfase à segurança no abastecimento.
¿Essa discussão (mostrando o dilema entre modicidade tarifária e maior segurança no abastecimento) não faz muito sentido. O maior custo de energia elétrica é o custo do racionamento. Com a nova sistemática de operação, o ONS terá mais condições de se antecipar a eventuais problemas futuros de falta de chuvas¿, ponderou.
Segundo ele, se o ONS ¿despachar¿ mais usinas térmicas e, com isso, der mais segurança ao sistema, o preço final será menor. ¿Pode haver um custo maior no curto prazo, mas no longo prazo haverá ganhos para o consumidor.¿ A nova sistemática deverá entrar em operação em fevereiro de 2008.
Outra decisão que o governo está avaliando é um leilão especial de compra de energia elétrica para o segmento de biomassa, especialmente da cana. Chipp disse que até poucas semanas atrás a possibilidade desse leilão ¿era praticamente igual a zero¿, mas agora ele não se surpreenderá se o leilão for anunciado ainda neste mês para ser realizado no início de 2008.
O objetivo, segundo ele, é ter essa energia disponível, em torno de 1.200 MW médios, em 2009. Os usineiros enviaram ao governo proposta de tarifa de R$ 220,00 por MWh, mas agora o setor está refazendo os cálculos e o governo analisa a possibilidade de reduzir impostos.
O governo quer também acelerar a oferta de gás natural liquefeito (GNL) para as térmicas. Segundo Chipp, a Petrobrás assumiu o compromisso com a Aneel de disponibilizar o GNL no Nordeste no primeiro semestre de 2008. Para o Sudeste, a previsão é o GNL estar disponível no fim do primeiro semestre de 2009. A Petrobrás prevê ofertar 6 milhões de metros cúbicos de gás no Nordeste e 14 milhões de metros cúbicos no Sudeste.